Advogado da Precisa alterna silêncio e evasivas, irrita CPI, entra testemunha e sai como investigado; diferentes papeis na empresa

O advogado da empresa Precisa Medicamentos Túlio Silveira confirmou nesta quarta-feira (18), em depoimento à CPI da Covid, que abriu o seu escritório de advocacia dois antes da assinatura do contrato da vacina indiana Covaxin. O advogado passará para a lista de investigados da CPI da Covid. Segundo informações do blog do Valdo Cruz, a cúpula da comissão avalia que há indícios de que Silveira é suspeito de ter contribuído para irregularidades no contrato assinado entre a Precisa e o Ministério da Saúde para compra da vacina Covaxin.

A Precisa Medicamentos atuou como uma intermediária na negociação feita entre a fabricante Bharat Biotech e o Ministério da Saúde para aquisição de 20 milhões de doses da vacina Covaxin. A atuação da empresa como intermediária da compra é investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

O acordo entre o Ministério da Saúde e a empresa Precisa foi firmado em 25 de fevereiro deste ano. O escritório de advocacia de Silveira, conforme apontado por senadores e confirmado pelo depoente, foi aberto dois dias antes.

“Eu já prestava serviços como profissional autônomo. As demandas estavam aumentando e eu resolvi abrir, fundar o meu escritório de advocacia, como está prevista na legislação essa possibilidade”, afirmou o advogado.

Durante a sessão, diferentes atuações de Túlio dentro da Precisa foram apresentadas. O advogado se recusou a responder muitos questionamentos e disse que se calaria com base no “direito inalienável” ao sigilo entre advogados e em um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que lhe garantiu o direito de permanecer em silêncio diante de perguntas que poderiam incriminá-lo.

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O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) expôs uma ata de reunião do Ministério da Saúde em 20 de novembro de 2020 na qual o advogado é identificado como gerente de parcerias internacionais e compliance da empresa.

“Acredito que foi um erro de redação. Acredito que tenha um erro de lançamento, uma confusão”, afirmou o advogado.

Já em março deste ano, durante audiência pública no Senado, Túlio Silveira foi apresentado como gerente de contratos. Na ocasião, ele tratou sobre o cronograma de entrega da Covaxin.

“Com todo o respeito, não fui eu que fiz o lançamento da informação”, disse. Ele ressaltou que estava auxiliando “na qualidade de advogado”.