A militantes, Bolsonaro desdenha de torturas sofridas por Dilma durante regime militar: “Traz o raio-x para a gente ver o calo ósseo”, disse ele; ex-presidente emite nota de repúdio: “Indigno, escolhe ser sócio da morte”

Em encontro com apoiadores na manhã desta segunda-feira (28), Jair Bolsonaro ironizou a tortura sofrida pela ex-presidenta Dilma Rousseff na época da ditadura, quando ficou presa por 3 anos. A informação é do Diário do Centro do Mundo

Incentivado por um seguidor a falar sobre o golpe militar, Bolsonaro falou um absurdo atrás do outro. “Os caras se vitimizam o tempo”, disse ele sobre os perseguidos pelo regime.

O presidente ainda pediu a prova de que Dilma fora torturada nos anos 1970. “Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio X para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio X”, disparou.

A fala dele começa a partir dos 8 minutos do vídeo abaixo:

A ex-presidente Dilma Rousseff encaminhou a seguinte nota:

NOTA À IMPRENSA

Jair Bolsonaro promoveu mais uma de suas conhecidas sessões de infâmia e torpeza, falando a um pequeno grupo de apoiadores, nesta segunda-feira, 28 de dezembro.

Como não respeita nenhum limite imposto pela educação e pela civilidade, uma exigência a qualquer político, e mais ainda a um presidente da República, desmoraliza mais uma vez o cargo que ocupa. Mostra-se indigno ao tratar com desrespeito e com deboche o fato de eu ter sido presa ilegalmente e torturada pela ditadura militar. Queria provocar risos e reagiu com sórdidas gargalhadas às suas mentiras e agressões.

A cada manifestação pública como esta, Bolsonaro se revela exatamente como é: um indivíduo que não sente qualquer empatia por seres humanos, a não ser aqueles que utiliza para seus propósitos. Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela Covid-19 que, aliás, se recusa a combater. A visão de mundo fascista está evidente na celebração da violência, na defesa da ditadura militar e da destruição dos que a ela se opuseram.

É triste, mas o ocupante do Palácio do Planalto se comporta como um fascista. E, no poder, tem agido exatamente como um fascista. Ele revela, com a torpeza do deboche e as gargalhadas de escárnio, a índole própria de um torturador. Ao desrespeitar quem foi torturado quando estava sob a custódia do Estado, escolhe ser cúmplice da tortura e da morte.

Bolsonaro não insulta apenas a mim, mas a milhares de vítimas da ditadura militar, torturadas e mortas, assim como aos seus parentes, muitos dos quais sequer tiveram o direito de enterrar seus entes queridos.

Um sociopata, que não se sensibiliza diante da dor de outros seres humanos, não merece a confiança do povo brasileiro.