À AGU, coronel da morte alinha versão à Precisa; Elcio Franco diz que negociou Covaxin a US$ 10 por dose; documentos oficiais não confirmam

No mesmo dia do depoimento da funcionária da Precisa Medicamentos Emanuela Medrades à CPI da Covid, o assessor especial da Casa Civil, coronel Elcio Franco, disse à Controladoria-Geral da União (CGU) que um dos tópicos da reunião do Ministério da Saúde com a empresa e a farmacêutica indiana Bharat Biotech, em 20 de novembro, foi o preço da vacina Covaxin a US$ 10. Então número 2 da Saúde, Franco liderou o encontro na pasta e apresentou uma versão alinhada ao relato que a farmacêutica da Precisa fez à CPI, que contradiz documentos oficiais sobre o teor da reunião e o custo de aquisição de cada dose.

“Foi informado que havia a possibilidade de o preço de venda chegar a US$ 10 dólares americanos, dependendo da quantidade a ser adquirida e da finalização dos estudos clínicos, conforme memória da reunião anexa”, declarou Franco, em documento enviado ao ministro da CGU, Wagner Rosário.

Ao contrário do que informou Franco à CGU, a memória da reunião não afirma que o valor da dose dependia da finalização dos estudos clínicos. O documento interno do Ministério da Saúde foi obtido pelo Estadão e publicado em 3 de julho. “O valor da vacina é de US$ 10 (dez dólares americanos) por dose, que, em razão de eventual aquisição de montante elevado de doses, o valor poderia vir a ser reduzido e estaria aberto à negociação”, diz a “memória da reunião”.