500.868 mortos por Covid-19 no Brasil; País atinge marca trágica em meio a negacionismo do governo

O Brasil chega à marca de meio milhão de mortos pela Covid-19 neste sábado (19), segundo registros oficiais das secretarias de Saúde dos estados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa. O número real, porém, deve ser ainda maior, já que nem todos os infectados fazem o exame para detectar a presença do coronavírus.

Às 20h deste sábado, o país contou 2.247 mortes e 78.869 novos casos da doença nas últimas 24 horas, elevando o total de óbitos para 500.868, e o de casos, para 17.881.045.

Com isso, o Brasil torna-se o segundo país a ultrapassar os 500 mil mortos. Antes dele, os Estados Unidos superaram essa cifra e, no dia 15 de junho, passaram de 600 mil óbitos. A diferença é que, por lá, mais de 148 milhões de norte-americanos (45% da população) estão totalmente imunizados; por aqui, são 24.243.552 milhões de brasileiros (11,45% da população) que já tomaram as duas doses.

O país é também recordista em mortes pela doença no mundo em 2021. Já são mais de 308 mil somente neste ano, ante 249 mil nos Estados Unidos e 236 mil na Índia.

Com vacinação ainda lenta, o vírus se alastra por todas as regiões do Brasil. Na última semana, houve média de cerca de 2.000 mortos por dia pelo coronavírus Sars-CoV-2. A média diária de novos casos está em torno de 70 mil, o que deixa o atual momento entre os piores da pandemia.1 9

Corpos são enterrados à noite em cemitério da zona leste de SP

Coveiros enterram corpo durante sepultamento noturno, na noite de terça-feira (6), no cemitério da Vila Alpina, na zona leste da capital paulista
Sepultador veste novo macacão de proteção, após realizar enterro noturno, terça-feira (6), no Cemitério da Vila Alpina, zona leste da capital paulista
Sepultadores trocam seus macacões de proteção, após realizar enterro noturno na terça-feira (6), no Cemitério da Vila Alpina, zona leste da capital paulista
Sepultadores enterram corpo durante sepultamento noturno, na noite de terça-feira (6), no Cemitério da Vila Alpina, na zona leste da capital paulista
Sepultadores descartam macacões de proteção, após realizar sepultamento noturno, terça-feira (6), no Cemitério da Vila Alpina, zona leste da capital paulista
Parentes após enterro da dona de casa Adriana Alencar, 47 anos, morta por causa de uma embolia pulmonar. O corpo foi sepultado durante a noite de terça-feira (6) no Cemitério da Vila Alpina, na zona leste da capital paulista
Sepultadores enterram corpo durante sepultamento noturno, na noite de terça-feira (6), no Cemitério da Vila Alpina, na zona leste da capital paulista
Parentes do empreiteiro Gilberto Silva e Souza, 70 anos, rezam ao lado do carro onde está o corpo do parente, morto horas antes em um hospital da rede municipal da capital paulista. Logo após a oração, o corpo do idoso foi enterrado, na noite de terça-feira (6),  no Cemitério da Vila Alpina, na zona leste da capital paulista
Sepultadores enterram corpo durante sepultamento noturno, na noite de terça-feira (6), no cemitério da Vila Alpina, na zona leste da capital paulista

Coveiros enterram corpo durante sepultamento noturno, na noite de terça-feira (6), no cemitério da Vila Alpina, na zona leste da capital paulista Mathilde Missioneiro/FolhapressLeia Mais VOLTAR

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Desde o primeiro registro da doença no país, em fevereiro de 2020, mais de 17,8 milhões de pessoas já foram infectadas pelo Sars-CoV-2 no Brasil —número que provavelmente também está subdimensionado.https://s.dynad.net/stack/928W5r5IndTfocT3VdUV-AB8UVlc0JbnGWyFZsei5gU.html[ x ]

Os dados comparativos mostram que as autoridades brasileiras erraram na condução do país em meio à pandemia. Quando se considera a taxa de mortos por 100 mil habitantes, por exemplo, o Brasil é o 9º país com mais óbitos, ostentando 235 mortes/100 mil habitantes. Apenas países de população bem menor estão à sua frente.

Entre as maiores economias do mundo, o Brasil é o país que acumula mais mortes por 100 mil habitantes.https://arte.folha.uol.com.br/ciencia/2021/06/19/500-mil-mortos/infografico2.html?initialWidth=630&childId=infographic-2&parentTitle=Brasil%20chega%20a%20500%20mil%20mortes%20por%20Covid%20-%2019%2F06%2F2021%20-%20Equil%C3%ADbrio%20e%20Sa%C3%BAde%20-%20Folha&parentUrl=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fequilibrioesaude%2F2021%2F06%2Fbrasil-chega-a-500-mil-mortes-por-covid.shtml

Apesar de todas as evidências científicas disponíveis, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mantém o negacionismo que expressou desde o primeiro momento. Ele já subestimou o perigo que a doença representa quando a chamou de gripezinha, lançou desconfiança sobre as vacinas que comprovadamente podem diminuir os riscos de morte e não segue as medidas de proteção contra o vírus, como uso de máscara e distanciamento social.

Pressionado pelo número elevado de mortes, Bolsonaro até apareceu em rede nacional para celebrar a distribuição de 100 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 aos estados e municípios, mas ao mesmo tempo não dá sinais de que ele mesmo deve se vacinar. Outros líderes mundiais tomaram a injeção no braço em público como maneira de estimular a população e dissipar qualquer receio provocado por notícias falsas.

Em suas falas, as imprecisões e as expressões próprias de um movimento político que se opõe à ciência servem para lançar desconfianças infundadas sobre as vacinas e o uso das máscaras, que ele diz ser um símbolo contra a liberdade individual.

Suas crenças se refletiram nas ações do governo federal, que se empenhou mais na defesa e na distribuição de remédios como a hidroxicloroquina, ineficaz contra a Covid, e menos na compra das vacinas.

Mesmo após mais de um ano de realização de estudos científicos padronizados com a hidroxicloroquina e outros medicamentos do chamado “kit Covid” que não encontraram benefícios no uso dos remédios pelos doentes, o presidente segue propagandeando esses medicamentos como a solução.

O resultado: cerca de um quarto da população brasileira fez uso de algum medicamento para tratar precocemente ou prevenir a Covid-19, de acordo com uma pesquisa do Datafolha —entre os que declaram voto em Bolsonaro nas eleições de 2022, o índice sobe para 37%. Mas o tratamento ainda não existe, e os números de mortes ajudam a confirmar isso.