50 anos após 1º pregão, Bolsa de São Paulo atinge os 100 mil pontos; expectativa por nova Previdência

O Ibovespa, principal índice da B3 (antiga Bovespa, a bolsa de valores brasileira) bateu 100 mil pontos pela 1ª vez na história às 14h44 horas desta 2ª feira (18.mar.2019).

A nova marca vem depois de uma série de recordes batidos em 2019. No final de 2018, o índice marcava 87.887 pontos. Já em 1ª de janeiro subiu 3,56% e fechou a 91.012 pontos – o que, naquele momento, já representava uma máxima histórica.

Em 24 de janeiro, o Ibovespa bateu novo recorde e chegou aos 97 mil pontos. As desvalorizações das ações da Vale após o desastre de Brumadinho (MG), no entanto, puxaram o índice para baixo. Na 2ª feira (28.jan), a bolsa recuou 2,29% e foi a 95.443 pontos.

Em 30 de janeiro, o índice recuperou o patamar de 96 mil pontos. No dia seguinte, chegou a 97 mil pontos, e, em 4 de fevereiro, a 98 mil pontos. Nesta 6ª feira (15.mar), atingiu 99 mil pontos pela 1ª vez na história.

À espera da Previdência

A expectativa do mercado financeiro em relação à aprovação da reforma da Previdência foi o principal fator que impulsionou o comportamento do Ibovespa neste ano.

Economistas explicam que, em 2018, a Bolsa apresentou forte oscilação devido à incerteza causada pela período eleitoral. A indefinição sobre quem comandaria o Executivo levou também a dúvidas sobre a condução da política econômica.

Favoráveis à pauta de ajuste fiscal, investidores apostam, agora, na agenda de reformas defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Além da Previdência, o pacote inclui medidas como a reforma tributária, privatizações e abertura comercial.

Desde o início do ano, esperavam a apresentação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que altera o sistema previdenciário brasileiro. O texto que muda as condições de aposentadoria para servidores civis e trabalhadores da iniciativa privada chegou ao Congresso em 20 de fevereiro.

Até esta 4ª feira (20.mar), o governo deve apresentar também o projeto que altera as regras para os militares.

“É 1 cenário inédito no Brasil. O resultado da reforma da Previdência e das próximas que devem surgir com certeza estimula os investidores“, disse Jason Vieira, economista-chefe da Infinity.

Ibovespa em 2019

Até aqui, no entanto, o mercado financeiro foi alimentado pelas expectativas. Para manter o ritmo de avanço do preço das ações, economistas afirmam que é necessária, principalmente, a consolidação de uma agenda que leve ao equilíbrio fiscal.

Em 2019, o país deve ter o 6º ano consecutivo de rombo nas contas públicas. O governo está autorizado a registrar deficit de até R$ 139 bilhões.

“Com reforma da Previdência anunciada criou-se a perspectiva positiva de aprovação. Mas para que a confiança se mantenha é preciso que, lá pelo meio do ano, ela já tenha sido aprovada”, afirmou Newton Rosa, economista-chefe da Sulamérica Investimentos.

Caso haja uma frustração em relação à votação do projeto, a perspectiva é de piora. “O bom desempenho está apoiado em expectativas com relação à gestão fiscal, esse é o principal condicionante”, avalia Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

Agostini coloca que a evolução do Ibovespa depende também de uma melhora no ritmo de retomada da economia. Em janeiro, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) indicou queda de 0,41% na atividade. Analistas de mercado consultados pelo Banco Central também revisaram para 2% sua expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).

Os economistas destacam, ainda, o peso do cenário internacional sobre os papéis brasileiros, com os possíveis riscos causados pela desaceleração da economia global e pela guerra comercial.

“Acreditamos que o Ibovespa deva ficar em cerca de 105 mil pontos no final do ano. É possível que ultrapasse isso, mas é prudente ponderar que há variáveis surpresas”, afirmou Agostini.

Criado em 1968, o Ibovespa é o principal indicador do desempenho das ações negociadas na bolsa brasileira. Considerado 1 termômetro do mercado brasileiro, é acompanhado por investidores nacionais e estrangeiros.

O índice, que reúne as empresas mais importantes do país, é resultado de uma carteira teórica de ativos, composta pelos papéis que correspondem a 80% dos valores negociados diariamente.

Hoje, há mais de 300 empresas brasileiras listadas na B3 e 65 delas formam o Ibovespa. Essa composição é reavaliada a cada 4 meses.