Drama real de 65,7 milhões de ‘nem nem’ atropela tititis de Twitter, vida mansa de políticos e índices frios da economia: o Brasil pede socorro agora

BR: O Brasil está pedindo socorro. O governo de um plano só, e de longo prazo, chamado reforma da Previdência, está sendo desesperadamente chamado por 65,7 milhões de brasileiros que nem mais trabalham e nem mais procuram emprego, tal seu desalento, a agir no presente.

Eles dizem que chega de tititis no Twitter, de cafés da manhã, almoços, jantares, semana de dois dias de trabalho, tapinhas e beijinhos alternadamente em Brasília. Que basta de apenas se dizer de direita, proclamar-se de esquerda, colocar-se no centro responsável. Que não se importam com os índices da Bolsa de Valores, a taxa de câmbio, as expectativas boas e ruins.

A urgência dos ‘nem nem’ é outra. Eles precisam de frentes temporárias de trabalho. Têm de ser convocados para mutirões. Necessitam se ocupar por meio salário mínimo que seja, para não se tornarem zumbis permanentes, ficarem jogados pelas grandes cidades, morrerem de inanição. Precisão de pratos de comida, mesmo que esta seja a sopa da meia-noite. Demandam agasalhos. Remédios. Solidariedade. Um mínimo de atenção social.

Tão popularmente forte, o presidente Jair Bolsonaro deveria cessar sua dispersão, convocar os governadores, os prefeitos, os empresários, a elite, enfim, e traçar saídas de emergência, de urgência urgentíssima para a crise social que se agiganta. Aplicar uma alternativa à ortodoxia, sem abandoná-la. Implantar e multiplicar experiências de atenção social que dão certo em outros países. Fazer de pedaços do Brasil, por que não?, laboratórios de testes para soluções de redução de danos. Tapar buracos em estradas. Pintar sarjetas de ruas. Cortar grama. Limpar escola. Cumprir tarefas de um dia. Isso existe, é factível. Com prioridade política, dinheiro há. Movimente-se a economia, agora e já, na dimensão que for possível. Mas que algo se faça!

Apenas esperar que a reforma da Previdência salve os brasileiros a longo prazo, e fingir não ouvir o clamor do presente, preso ao confortável Twitter que torna covardes valentes, é que não dá. Os 65,7 milhões de ‘nem nem’ querem ousadia.