Gustavo Franco

Para CVM, pau que dá em Chico não dá em Francisco: Figueiredo tem conflito discutido no BB, mas Gustavo Franco já pontifica no BNDES

BR: Dois critérios diferentes para situações absolutamente iguais estão sendo adotados pela Comissão de Valores Mobiliários nos casos das indicações de Luiz Fernando Figueiredo e Gustavo Franco para as presidências dos conselhos de administração do Banco do Brasil e do BNDES, respectivamente. Enquanto a CVM  questiona conflito interesses contra a posse de fundador da Mauá Capital, não dá um pio sobre a chegada do fundador da Rio Bravo Investimentos ao banco de fomento.

A partir de indagação da CVM, o primeiro sofreu sanções do Comitê de Remuneração e Elegibilidade (Corem) do banco estatal, que definiu restrições para o exercício da função. O segundo, por seu lado, já diz o que vai fazer como manda-chuva do conselho do BNDES. “A primeira missão é solidificar o novo jeito de refletir e decidir sobre o destino da organização”, disse Franco a respeito de seus planos. “Será muito bom participar da conversa que começa agora”, completa.

São exatamente as conversas que Figueiredo e Franco terão dentro do BB e do BNDES que despertam interpretações no mercado sobre flagrante conflito de interesses. O Corem constatou que o risco de conflito de interesse existe em diversos temas que são tratadas rotineiramente dentro do conselho de administração. Para quem está na iniciativa privada e no mesmo setor financeiro, esse tipo de informação de um banco estatal vale ouro. São tantos os interesses cruzados que o Corem resolveu adiar a sua manifestação sobre o caso de Figueiredo.

O que não se compreende é como a CVM não questiona o mesmo risco de conflito de interesses sobre a futura atividade de Franco na cúpula do BNDES e sua permanência na Rio Bravo.

Para o chamado xerife do mercado, até agora pau de que deu em Chico não deu em Francisco.