Colosso nacional, Odebrecht está às portas da recuperação judicial cinco anos Lava-Jato

A notícia de que a Braskem não será mais vendida à holandesa LyondellBasell deixou o grupo Odebrecht mais perto de uma recuperação judicial. A empreiteira contava com o negócio para aliviar seus problemas de caixa e fazer frente a uma dívida que soma R$ 80 bilhões.

A Caixa planeja acelerar o vencimento das dívidas da holding depois que uma empresa sucroalcooleira do grupo, a Atvos, entrou com pedido de recuperação judicial. A dívida da Atvos é garantida pela holding. O conglomerado como um todo deve cerca de R$ 6 bilhões à Caixa.

As ações da Braskem despencaram 17,1% ontem na Bolsa. A empresa encolheu R$ 4 bilhões em valor de mercado após a notícia da desistência da LyondellBasel. Se tivesse prosperado, a transação teria criado a maior empresa global do setor petroquímico. Uma das razões para a desistência foi a piora da situação financeira da Odebrecht. O pedido da Atvos para entrar em recuperação judicial foi lido como um ensaio para pedidos semelhantes por outras empresas do grupo – são sete ao todo. Uma das mais fragilizadas é a Odebrecht Engenharia e Construção (OEC). Os problemas da empreiteira começaram após as descobertas, pela Operação Lava-Jato, de pagamentos de propinas a políticos, pela companhia, em troca da obtenção de contratos.

As dificuldades poderiam ter consequências para o negócio com a LyondellBasel já que, em maio de 2018, a Odebrecht havia entregado sua participação na Braskem como garantia a cinco bancos (Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, BNDES e Santander) para conseguir empréstimo de R$ 2,6 bilhões. Para piorar, a Justiça bloqueou o pagamento de R$ 2,7 bilhões em dividendos a acionistas da Braskem, em razão de problemas ambientais em Alagoas.

“A holding está ficando sem dinheiro”, resumiu uma fonte que acompanha a reestruturação da empresa.