Sem luz e debaixo de chuva, Mangueira conta com energia do seu povo para comemorar o 20º título; “Título é um recado político ao presidente Bolsonaro”, diz carnavalesco

BR: A realidade bateu à porta e entrou na festa que a Estação Primeira de Mangueira está fazendo em sua quadra, nesta noite de quarta-feira 6, para comemorar seu 20º título. Falta luz e chove forte, mas nem assim os milhares de integrantes da escola se deixaram abater, bem ao contrário, a vibração só aumentou.

Empolgado pela conquista, o carnavalesco Leandro Vieira, que liderou o enredo de heróis da resistência negra mostrados pela escola, deu um recado direto ao presidente da República:

“É um recado político para o presidente Bolsonaro”, disse ele, referindo- se ao desfile campeão. “Isso daqui é a festa do povo, não o que ele acha que é. O carnaval da Mangueira é o carnaval do povo, da arte, da cultura popular”, explicou. “Esses homens e essas mulheres aqui são os heróis do meu enredo que merecem ser exaltados”, concluiu o carnavalesco.

Acompanhe a festa da Mangueira campeã no relato do jornal Extra:

Debaixo de muita chuva e sem luz, os torcedores da Estação Primeira de Mangueira comemoram enérgicamente o título do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. Entoando gritos de “é campeã” desde a metade da apuração, a torcida não desanimou por um segundo sequer, com a escola na liderança do início ao fim. O que foi visto no Sambódromo, com o samba cantado pelas arquibancadas, se repetiu nesta quarta-feira. A escola trouxe o enredo “História pra ninar gente grande”.

— É o carnaval da superação para mim e para a minha família. Agradeço a uma pessoa: Guanayra Firmino (vice-presidente das alas de comunidade da Mangueira) e toda a direção do escola por terem confiado em mim! — desabafou Marquinho Art Samba, intérprete da Mangueira, que chegou a ser preso após o ensaio técnico da agremiação da Zona Norte por atraso no pagamento de pensão alimentícia.

No carnaval, triunfaram o samba, o discurso e a emoção da Estação Primeira de Mangueira. A verde e rosa conquistou seu vigésimo campeonato num desfile sobre os heróis esquecidos da história do Brasil. A apresentação marcou ainda com uma homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março do ano passado. A Mangueira liderou junto com a Viradouro até o terceiro quesito. A escola de Niterói, no entanto, perdeu um décimo em alegorias e adereços. A Mangueira, que tinha perdido pontos no quesito ano passado, garantiu as notas 10. E manteve a primeira posição de forma isolada.

Este ano, a agremiação investiu na contratação do casal Priscilla Mota e Rodrigo Negri, criadores de aberturas famosas, como a da mudança de roupas da Unidos da Tijuca, em 2010. Na Verde e Rosa, ele apostaram numa coreografia em que mostrava figuras históricas pequenas diante de índios e negros. Tinha ainda a menina Cacá Nascimento que abria uma faixa com a palavra “presente”, em referência à vereadora assassinada.