Centrão: Bolsonaro nada cedeu, Previdência pode reelegê-lo e “repartição de poder” é exigida; “Essa é a questão básica, e ponto final”

BR: Um dos colunistas de Brasília que mais ouve parlamentares do Congresso Nacional, o jornalista Tales Faria, do UOL, publica nesta quarta-feira 13 um texto emblemático das tensões entre os partidos políticos com a não entrega de cargos, pelo presidente Jair Bolsonaro, em troca de votos a favor da reforma da Previdência.

Acompanhe:

O grupo de partidos que compõem o chamado Centrão do Congresso apoiou a candidatura do tucano Geraldo Alckmin a presidente e, no segundo turno, bandeou-se para Jair Bolsonaro (PSL), de forma explícita ou velada.

Por isso o Planalto conta que PP, PSD, DEM, PR, PRB e SD comporão, de uma forma ou de outra, a chamada base de apoio ao governo no Congresso.

Mas tem um probleminha aí: os comandantes desses partidos avaliam que, até agora, o presidente da República em nada cedeu aos políticos para ter o apoio formal das siglas. Nem com liberação de emendas, nem com pacto federativo ou desvinculação de receitas.

A liberação de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares ao Orçamento, segundo os presidentes desses partidos ouvidos pelo blog, não representa concessão alguma

As emendas são impositivas. Ou seja, por lei, o governo teria que liberá-las cedo ou tarde. Tanto assim que está soltando aquelas de deputados e senadores governistas e da oposição. Seria ilegal liberar apenas emendas de um dos dois grupos.

O tal pacto federativo proposto pelo ministro da Fazenda, Paulo Guedes, como forma de liberar dinheiro para os Estados é considerado pelos chefes partidários, na verdade, como “um abacaxi”.

A desconfiança é que o dinheiro para os estados viria não do bolo federal mas da aprovação da ampla desvinculação de receitas da União também proposta pelo ministro.

Na prática, essas vinculações –por exemplo, para Saúde e Educação– já são em boa parte destinadas a estados e municípios. Seria um “Jogo de soma zero”: dar às unidades da federação o que elas já recebem, com pouca diferença.

O que pode ocorrer nessa contabilidade, suspeitam os chefes partidários, é sobrar alguma coisa das desvinculações para o governo federal. Ou seja:

-o Congresso fica com o desgaste junto à opinião pública de aprovar tanto a reforma da Previdência como as desvinculações para Saúde e Educação;

-as unidades da federação ganham pouco ou quase nada;

-os partidos talvez fiquem com uns carguinhos de segundo e terceiro escalão;

-e ainda pode sobrar dinheiro para o governo federal.

Um dos presidentes de partido explicou ao blog: “Digamos que aprovemos isso e a reforma da Previdência. O ajuste estará feito e aí a política econômica proposta por Paulo Guedes terá maior chance dar certo. Quem é o maior beneficiário? O governo. Estaremos entregando a Bolsonaro a possibilidade de ele se reeleger. Mas sem que ele tenha dado nada aos partidos que o apoiaram. Ninguém quer entregar oito anos de mandato sem garantia da repartição do poder. É essa a questão básica, e ponto final.”