Rial admite erro em política agressiva do Santander, rebaixa limites de 500 mil cartões de crédito e revela estratégia frágil e superficial

BR: Após abordar com agressividade o mercado de cartões de crédito, o banco Santander está pisando abruptamente no freio e engatando uma marcha à ré. Neste momento, nada menos que 500 mil clientes da instituição estão sendo comunicados do rebaixamento nos limites de seus cartões de crédito, em razão do aumento nos índices de rolagem das dívidas e dificuldades no pagamento das faturas.

Presidente do banco espanhol no Brasil, o executivo Sergio Rial é o mesmo que bancou a política agressiva de oferta de cartões com limites altos e, agora, busca consertar o estrago no fluxo de pagamentos. Na prática, está admitindo um erro de dimensões bastante consideráveis: 500 mil titulares de cartões é um público capaz de encher cinco vezes um estádio de futebol como o do Morumbi, em São Paulo.

“O ataque gera, em alguns dos clientes, um sobreendividamento que, num primeiro momento, não se percebe, mas vai ser percebido numa deterioração seja da posição, da função que ocupa, do emprego etc”, apontou ele próprio ao jornal Valor Econômico, em entrevista nesta quarta-feira 22. “E aí vêm os problemas”, admitiu Rial.

Dono de um estilo singular no mercado financeiro, notabilizando-se por brilhar em festas de fim de ano de funcionários da instituição fantasiado de super-herói e chegando a coquetéis dependurado em cabos de aço para simular voos ousados, Rial nutre planos de se tornar presidente mundial do Santander. Essa meta pode ter influenciado na decisão de avançar agressivamente sobre o mercado. O executivo acaba de completar três anos dentro da instituição espanhola.  

No mercado financeiro, o movimento do Santander é visto como uma ‘cavalo-de-pau’ que precisou ser realizado para superar uma estratégia frágil e superficial de conquista de clientela, marcada pela pressa.

Ao Valor, Rial também admitiu ter dificuldades em ler a conjuntura econômica do país. “Aí é o tipo da coisa em que não sou bom”, respondeu a respeito de sua visão sobre o cenário macroeconômico.

Escaldado, ele se esquivou de fazer qualquer comentário sobre o governo Bolsonaro:

“Não tenho avaliação. Como qualquer organização, o início sempre… Não estou tentando ser politicamente correto. Não tenho avaliação. Presto atenção ao macro, mas não dirijo minha empresa olhando para o macro”, encerrou o quase sempre loquaz Rial.