Tensão entre Legislativo e Judiciário pode prejudicar Previdência, avalia Planalto, que tenta ficar longe da briga

BR: Já se sabe que as ordens de prisão expedidas pelo juiz Marcelo Bretas contra o ex-presidente Michel Temer, seu ministro Moreira Franco e mais oito envolvidos no inquérito que apura desvios de R$ 1,8 bilhão na estatal Eletronuclear foram assinadas na terça-feira 19. O bate-boca entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o ministro da Justiça, Sergio Moro, ocorreu no dia seguinte, ontem, na véspera da execução da determinação judicial, derrubando a teoria da conspiração de que Moro retaliou Maia por meio de Bretas. Ok, mas, mesmo assim, é inegável que se tem, neste momento, o ponto mais alta de uma tensão institucional entre Legislativo e Judiciário em muitos meses.

O Palácio do Planalto, ainda que não esteja em seu melhor momento de articulação política, detectou esse afastamento entre os dois poderes e está trabalhando para evitar que a crise fique ainda maior. Nesse caso, a aprovação da PEC da Previdência ficariam totalmente comprometida.

Há uma preocupação de que iniciativas em retaliação ao Judiciário sejam desengavetadas pelo Legislativo, como os projetos que tratam de abuso de autoridade, ganhando prioridade na pauta de votação em relação a iniciativas de interesse do governo.

O Planalto, por isso, quer se manter o mais distante possível do episódio da prisão de Temer. Neste sentido, a viagem do presidente Jair Bolsonaro ao Chile é providencial. “Eu acho que não

[atrapalha a pauta de votações]

. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”, disse nesta quinta-feira (21) o presidente interino Hamilton Mourão, a respeito do crescente estranhamento entre os dois poderes.