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Tiro pela culatra: evangélicos e oposição articulam derrubar decreto das armas; Maia chama Onyx para aliviar texto

BR: O presidente Jair Bolsonaro deu tiros imaginários para o alto, logo após assinar o decreto que ampliou o leque de posse de arma e os tipos de armamentos que podem ser usados pela população. Mas a verdade é que o tiro saiu pela culatra. Além da franca oposição do mundo da Justiça, que viu no texto uma revisão da Lei do Desarmamento, que só poderia ser feita por meio do Congresso, agora são os parlamentares que se levantam contra a medida. E não apenas os que fazem parte da oposição, mas também os integrantes da bancada evangélica.

Os sinais da rebelião já chegaram ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ele procurou o ministro Onyx Lorenzoni, da Casa Civil, para abrir uma negociação pela redução do escopo do decreto. Até armamentos antes considerados exclusivos das Forças Armadas foram liberados por Bolsonaro para uso de vários públicos com porte de arma. Crianças passaram a poder frequentar clubes de tiro sem nenhuma autorização judicial, mas apenas com a anuência de um dos pais.

Parlamentares ligados às igrejas pentecostais, que fazem parte da base de apoio a Bolsonaro, se articulam para tentar derrubar o decreto que flexibiliza o porte armas para várias categorias, incluindo políticos eleitos e jornalistas.

A política de armamento é umas das principais divergências em relação ao governo. Com 195 deputados, o grupo foi fundamental para a eleição de Bolsonaro.

PSOL, PT e Rede já lançaram projetos de decretos legislativos que revogam integralmente a medida. Os deputados evangélicos, no entanto, não desejam apoiar as iniciativas de partidos de esquerda, mas apresentar um projeto próprio.

“Estou conversando com vários deputados, e já temos vários que vão apoiar sim o decreto legislativo, desde que não seja apresentado por partidos de esquerda. Não apoiamos nada do PT. Se for do PT não terá nosso apoio”, diz o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), ligado à igreja liderada pelo pastor Silas Malafaia.