Marta articula frente ampla para barrar bolsonarismo em São Paulo, acena ao centro e ao PT: “Não sou candidata, mas quero colaborar”

BR: Reconhecida em pequisa Datafolha como a melhor prefeita da história de São Paulo, a ex-senadora Marta Suplicy está de mangas arregaçadas para o trabalho político com vistas à eleição municipal de 2020. Ela não quer protagonismo, mas tem claro que somente uma frente ampla formada por partidos políticos, entidades da sociedade civil e personalidades pode barrar arrivistas que irão concorrer, provavelmente unidos, à sombra do bolsonarismo.

Marta sempre entendeu São Paulo como um campo eleitoral nitidamente dividido entre direita e esquerda. E se propõe, agora, a ampliar o terreno popular a partir da atração de nomes como o ex-prefeito Fernando Haddad e o ex-governador Márcio França, entre outros, para formar, de fato, um arco de centro-esquerda.

Sua posição para esta missão é estratégica: está sem mandato e, ao mesmo tempo, não faz questão de voltar a ter um de imediato. Nessa medida, sua costura pela frente ampla ganha credibilidade, uma vez que defende a definição dos nomes representativos dessa soma de forças como última etapa do processo.

Em entrevista ao Estadão, Marta hasteou uma bandeira branca na direção do PT, partido visto como central para o sucesso da frente. Como se sabe, nas eleições municipais de 2016, a soma dos votos dados da Haddad e Marta, então no PT, suplantou o volume obtido por João Doria, do PSDB. O risco, ela aponta, é que a divisão se repita e, outra vez, a direita galvanizada vença a esquerda dividida.

“É muito importante ter o PT nesse movimento. Tenho conversado com a Gleisi (Hoffmann, presidente do PT) da importância de estarmos juntos”, conta a ex-prefeita.

Se avançar, a frente ampla sonhada por Marta pode mudar não apenas a eleição municipal de 2020, mas também a sucessão presidencial de 2022. “A eleição paulistana vai ser uma prévia para a grande disputa nacional”, avalia ela.