“Bolsonaro está fazendo o Brasil perder tempo”, ataca Alckmin, que virou artilheiro após perder comando do PSDB

Protagonista da mais dura derrota do PSDB em eleições presidenciais, o ex-governador Geraldo Alckmin, quebrou um silêncio de oito meses. Em entrevista à edição de hoje da Folha de S. Paulo, ele reconheceu que o tucanato não vivia o melhor momento e fez cobranças ao vencedor. Para Alckmin, o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe não têm um plano e fazem o “país perder tempo”.

“Ele precisa saber que o Muro de Berlim caiu há mais de 30 anos”, ironizou o ex-governador paulista.

“Temos 13,2 milhões de desempregados, cadê a agenda de produtividade? O Brasil não cresce, ficou caro para quem vive aqui, e tem dificuldade de exportação. Onde está essa agenda? Cadê a reforma tributária, fiscal? Eles não têm uma agenda e a única proposta é voltar com a CPMF, que é um imposto ruim, em cascata, que onera as cadeias produtivas.” Nem a equipe econômica, a cargo de Paulo Guedes, escapa das críticas.

Alckmin diz que não tem nada de pessoal contra Bolsonaro, mas pondera que  há um oportunismo de querer se aproveitar enfraquecendo as instituições. “Temos é que melhorá-las. Não é estigmatizando que vai avançar”. Para ele a democracia no Brasil já deu provas de muita resistência. “Nós é que precisamos dar uma ajudinha. A melhor forma de fortalecê-la é com reformas, e a reforma política é parte importante. Temos um dos piores sistemas político-partidários. Defendo o distrital misto, ele barateia a eleição. E, no futuro, o parlamentarismo”.

Na entrevista ao jornal Alckmin diz que nunca tinha ouvido falar de Orvalho de Carvalho. “É  estranha essa eminência parda. Não mora no Brasil, não vive as questões do país, não foi eleito… “

Alckmin revela que voltou nele no segundo turno, indicando que anulou o voto.

O tucano mandou recados para João Doria, atual governador paulista e novo expoente do PSDB: “Política é paciência cívica. Não nasci ontem”. Alckmin ainda anunciou um “pit-stop” da política. “O futuro a Deus pertence.” 

Com relação à política, diz que vai dar um pit-stop. “Gosto muito de estudar. O futuro… É stop, mas é pit. Vamos deixar. O futuro a Deus pertence”.