Festa da propina em piscina de Miami insere Beto Richa no clube do escárnio; Justiça bloqueia R$ 165 milhões do tucano, mulher e filho

A 23ª Vara Federal de Curitiba determinou ontem o bloqueio dos bens e contas financeira do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), a ex-primeira-dama Fernanda Richa, um dos filho do casal, André Richa, e empresas da família em até R$ 166 milhões. O valor é o que os investigadores calculam ser o montante de propinas recebido pelo ex-governador.

Ao mesmo tempo, o delator de um esquema de propinas no governo do Paraná, ex-servidor Maurício Fanini, que era comissionado na gestão do então governador Beto Richa (PSDB), entregou às autoridades fotos do tucano em uma celebração na piscina de um hotel em Miami, regada a champanhe e morangos.

A comemoração guarda semelhança, no estilo, à ‘farra dos guardanapos’, em Paris,

Richa aparece ao lado de empresários que tinham contratos com o governo do Paraná –e que são suspeitos de pagar propina ao governador e seu grupo político.

A foto, revelada pelo jornal O Globo, foi tirada em novembro de 2014, poucas semanas depois de o tucano vencer a reeleição para o governo estadual, no primeiro turno, com 55,7% dos votos.

A “viagem da vitória”, que incluiu Caribe e Miami no roteiro, já havia sido relatada por outro delator, o empresário Eduardo Lopes de Souza, da Construtora Valor.

Segundo eles, os empresários que acompanharam o então governador ajudaram a financiar a campanha do tucano, em parte com desvios de verbas do estado. O caso é investigado pelo Ministério Público do Paraná, no âmbito da Operação Quadro Negro, que apura desvios na construção de escolas estaduais. Richa também é alvo de denúncias na Operação Lava Jato, que o acusa de se beneficiar de esquemas de propina em concessões de rodovias.