Um trecho do inquérito da Polícia Federal (PF), que investiga a obstrução da investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, cita o ex-deputado estadual Domingos Brazão (ex-MDB) entre os suspeitos de ser um dos “possíveis mandantes” do crime.

Ex-parlamentar e conselheiro afastado do TCE-RJ – Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro – , Domingos Brazão foi alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido por agentes da PF no último dia 21/02. Em junho de 2018, ele chegou a prestar depoimento à Delegacia de Homicídios e negou qualquer relação com o caso do assassinato da morte de Marielle e Anderson.

O vereador Marcelo Siciliano (PHS), apontado por uma testemunha como mandante do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, acusou a família Brazão de tentar incriminá-lo e afirmou que se algo acontecer a ele, os responsáveis seriam os membros da família.

Ubiratan Guedes, advogado de Domingos Brazão no caso, disse que o cliente nega qualquer envolvimento nas mortes de Marielle e Anderson. Segundo o defensor, Brazão tem todo o interesse no esclarecimento do crime e colocou à disposição da Justiça seus sigilos bancários, fiscal e telefônico.

Domingos Brazão teve outros problemas com a Justiça. No dia 29/03 de 2017, quatro conselheiros do TCE-RJ e Brazão foram presos durante a deflagração da Operação Quinto do Ouro. Eles são acusados de recebimento de propinas de empresários para não fiscalizarem obras e uso de verbas públicas do governo do Rio de Janeiro – o processo corre no STJ (Superior Tribunal de Justiça). O grupo está afastado do tribunal desde então.

Brazão teve o nome citado na CPI das Milícias, realizada em 2008, sob a presidência de Marcelo Freixo (PSOL-RJ), de quem Marielle Franco foi assessora. Em junho passado, Freixo participou de uma reunião, a pedido de dois delegados da Polícia Civil do Rio, com integrantes do Ministério Público Federal para tratar de uma possível conexão de deputados do MDB com a morte de Marielle.