No aniversário de 39 anos do PT, Ciro faz nova declaração de guerra: “Lula não é um preso político. É um político preso”

Enquanto a Executiva Nacional do PT realiza uma tensa reunião de dois dias em São Paulo, o ex-candidato do PDT à Presidência em 2018, Ciro Gomes, foi à mídia atacar duramente, mais uma vez, a legenda e seu líder.

Ao colunista Bernardo Mello Franco, do jornal O Globo, Ciro declarou que o PT o escolheu como adversário, e que ele está pronto para enfrentar o partido de Lula, sem medo dos riscos de fracionar ainda mais a esquerda.

“Para a cúpula do PT, o inimigo não é o Bolsonaro. Sou eu”, avaliou.

Abaixo, a íntegra da coluna de Bernardo Mello Franco deste domingo 10:

Ciro Gomes vai à guerra. Terceiro colocado na corrida presidencial, ele pretende liderara oposição ao governo Bolsonaro. Não está disposto a dividir espaço com o PT, que agora descreve como adversário direto. Na quinta-feira, o pedetista reapareceu em Salvador, onde bateu boca com militantes que defendiam o ex-presidente Lula. Foi um aviso. Daqui para afrente, ele quer distância dos ex-aliados, mesmo que isso signifique manter a esquerda fragmentada. “Para a cúpula do PT, o inimigo não é o Bolsonaro. Sou eu”, justifica. “A disputa agora não é de projeto, é de hegemonia. Eles envelheceram. A tática do PT é me empurrar para a direita, como fizeram como Brizola e com o Arraes. Só que eu não vou”, desafia. Ciro se considera rompido com o ex-presidente, que foi condenado pela segunda vez nesta semana. “O Lula continua conspirando de dentro da cadeia, na politicagem mais rasteira. Nós temos que tratá-lo como ele é: como um adversário”, afirma. Ele diz que “não comemora” a situação do petista, mas se recusa a endossar sua defesa incondicional. “Lula não é um preso político. É um político preso. Preso político é o Mujica, que nunca foi acusado de corrupção”, provoca .“Vamos olhara realidade ou ficar navegando na maionese?”. Para o ex-ministro, o PT se deixou aprisionar com seu líder em Curitiba. “A tese do‘ Lula Livre’ foi derrotada. Se continuarem insistindo nisso, vão ser derrotados de novo”, avisa. Ciro diz que a estratégia dos petistas está errada. “Conhecendo o Judiciário, acho uma aberração pensar que vão ajudar o Lula com campanha de rua. Isso funciona pelo oposto”. Ele não se arrepende de ter virado as costas para Fernando Haddad no segundo turno. O petista ficou esperando seu apoio, mas o ex-ministro escolheu viajar de férias para a Europa. “O que é que eu devo para eles? O Haddad teve 71% dos votos no Ceará. Em São Paulo, o estado dele, teve 32%”, afirma. “Não sou obrigado a votar nessa gente de novo. Nunca mais”. Ciro promete uma oposição “propositiva” a Bolsonaro. No próximo dia 20, vai apresentar um projeto alternativo de reforma da Previdência. Ele quer centrar fogo na agenda econômica e no que vê como um desmonte das políticas sociais. Prefere ignorar as pautas de comportamento, que têm dominado o debate nas redes. “Não vou ficar comentando declaração de maluquete sobre cor de roupa de menino”, diz, referindo-se à ministra Damares Alves e sua polêmica do rosa e do azul. “Isso é irrelevante. A agenda identitária não pode substituir a luta da esquerda ”, afirma. Na disputa pelo comando da Câmara e do Senado, Ciro travou o primeiro embate do ano com o PT. Ele apoiou Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, enquanto os petistas ficaram com Marcelo Freixo e Renan Calheiros. Os candidatos do DEM venceram, e agora prometem facilitar a vida de Bolsonaro. “Aquilo não era um terceiro turno da eleição ”, diz Ciro, rejeitando acrítica por ter se juntado aos governistas .“Nós sofremos uma derrota fragorosa no ano passado. O lutador tem que entender sua posição no tablado, e o PT ainda não entendeu”, rebate.