Preso no Brasil desde março de 2007, o ex-ativista italiano, Cesare Battisti, deixa a Justiça Federal, no centro do Rio de Janeiro, após prestar depoimento. O ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo contra o italiano, autorizou a viagem para que Battisti preste depoimento ao juiz da 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

“Herói da esquerda confessou!”, exulta Bolsonaro sobre admissão por Battisti, na Itália, de ter participado de 4 assassinatos nos anos 70

Agência Brasil_ Pela primeira vez, o italiano Cesare Battisti, de 64 anos, extraditado em janeiro do Brasil para a Itália, admitiu ter participado do assassinato de quatro pessoas nos anos de 1970. Na presença do procurador-geral de Milão, Francesco Greco, no Ministério Público, ele confirmou o envolvimento nos crimes e pediu desculpas aos parentes das vítimas.

“Battisti, ‘herói’ da esquerda, que vivia colônia de férias no Brasil e apoiado pelo governo do PT e suas linhas auxiliares (PSOL, PCdoB, MST), confessou …”, escreveu o presidente Jair Bolsonaro em sua conta no Twitter. “Por anos denunciei a proteção dada ao terrorista, aqui tratado como exilado político. Nas eleições, firmei o compromisso de mandá-lo de volta à Itália para que pagasse por seus crimes. A nova posição do Brasil é um recado ao mundo: não seremos mais o paraíso de bandidos!”, acrescentou.

Segundo relatos, durante o depoimento, Battisti disse que se envolveu nos atos políticos por acreditar que aquela era uma “guerra justa”. O italiano foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato de quatro pessoas durante os anos de 1970. Na época, ele integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, um braço das Brigadas Vermelhas. Até então ele afirmava ser inocente.

O procurador Francesco Greco disse que Battisti admitiu “suas responsabilidades” em quatro assassinatos, no ferimento de três pessoas e na participação de roubos.

Captura

Battisti foi capturado em 12 de janeiro à noite enquanto caminhava pela rua em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. A prisão foi resultado de uma parceria de agentes bolivianos e italianos com apoio de brasileiros.

Cesare Battisti no avião que o levou da Bolívia para a Itália – Divulgação Polícia da Itália/Redes Sociais

No Brasil desde 2004, o italiano foi preso três anos depois. O governo da Itália pediu sua extradição, aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, no último dia de seu mandato, em dezembro de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que Battisti deveria ficar no Brasil, e o ato foi confirmado pelo STF.

Desde a campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a extradição de Battisti. Ao assumir o poder, ele reiterou sua determinação em capturar e enviar para a Itália para o cumprimento da pena. sdlo