Para pagar propina de R$ 125 milhões a 21 políticos, OAS fez contratos ‘fakes’ em 7 países

Gerente da área internacional de contabilidade clandestina da OAS , o ex-executivo Alexandre Portela Barbosa relatou em sua delação premiada , já homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) , que a empreiteira usou contratos fictícios em sete diferentes países para gerar recursos ilícitos usados em pagamentos de propina e caixa dois no Brasil e no exterior. A informação foi dada nesta quinta-feira 28 pela edição do jornal O Globo.

Segundo Alexandre Barbosa, foram usadas para este fim ilícito unidades da OAS sediadas no Chile, Costa Rica, Equador, Guatemala, Peru, Trindade e Tobago, e Ilhas Virgens Britânicas. Os contratos fraudulentos firmados por esses braços da empreiteira entre 2010 e 2014 totalizaram cerca de US$ 120 milhões, ou R$ 447 milhões, e abasteciam contas de doleiros, que movimentavam os recursos clandestinos da OAS no exterior ou remetiam o dinheiro para o Brasil. Essa contabilidade clandestina que gerava dinheiro para pagar os políticos era parcialmente alimentada com fraudes em contratos no exterior. O GLOBO revelou ontem o teor da delação premiada de oito ex-executivos do setor de contabilidade clandestina da OAS , chamado de “Controladoria de Projetos Estruturados”. Os ex-funcionários relataram pagamentos de propina e caixa dois no total de R$ 125 milhões a pelo menos 21 políticos de oito partidos.