Com armas liberadas, a 1ª tragédia: 5 alunos e 1 funcionário mortos em escola em Suzano (SP); adolescentes atiradores se mataram

Ao menos cinco alunos, um funcionário e mais duas pessoas foram mortas após dois adolescentes encapuzados entrarem na Escola Estadual Raul Brasil, na manhã desta quarta-feira 13, em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, e abrir fogo contra estudantes e funcionários. Os atiradores se mataram em seguida. A escola nunca havia registrado ocorrências graves. Os atiradores tinham entre 20 e 25 anos. Eles carregavam artefatos potencialmente explosivos, em mochilas. A escola foi isolada para varredura do esquadrão antibombas.


Trata-se da primeira grande tragédia desde a aprovação do direito à população ter armas em casa. A relação não é direta, mas especialistas apontam um recrudescimento no nível de violência no ambiente do país. De Brasília, o colunista Ricardo Noblat registrou em mensagem no Twitter após a tragédia: “Armas para todos. E seja o que Deus quiser. Essa é a solução dos desvairados”.

“Os capuzes dos atiradores tinha desenhos de caveiras”, disse o porta-voz da PM, capitão Bonifácio, confirmando que ambos morreram provavelmente em situação de suicídio por tiro de revólver. “Pode ter ocorrido uma situação passional”, disse ele, apontando para a possibilidade de a invasão ter sido premeditada. Não houve confirmação de os atiradores serem ex-alunos da escola, considerada uma referência no Estado de São Paulo.

“Estou muito impactado com o que vi aqui nessa escola”, disse Doria. “Foi a cena mais triste que vi em toda a minha vida”, completou ele, com voz embargada. “A PM chegou em oito minutos após ser acionada”, acrescentou Doria.

“Foi uma ocorrência gravíssima. Os dois atiradores atiraram na coordenadora pedagógica e em outra funcionária. Depois foram ao pátio, e atiraram em quatro estudantes. Foram utilizados quatro revólveres calibre 38 e um arco e flecha. Eles se suicidaram diante da centro de línguas, que teve sua porta fechada pela professora para proteção de seus alunos”, relatou o coronel Marcelo Telles, comandante-geral da PM. Ele adiantou que os nomes dos mortos não serão divulgados antes de serem passados às famílias das vítimas.

A polícia investigou inicialmente a hipótese de os adolescentes terem invadido a escola após terem realizado uma tentativa de assalto nas proximidades. Num segundo momento, a assessoria da Polícia Militar divulgou imagens de um arco para o disparo de flechas e uma mala com fios, semelhante a uma boa, que teria sido levados para dentro da escola pelos atiradores. O governador João Doria cancelou a agenda e foi ao local, deslocando-se de helicóptero para Suzano do Palácio dos Bandeirantes.

De acordo com a Polícia Militar, todo o efetivo da 1ª Companhia do 32º Batalhão de Suzano foi destacado para ir até o local. Equipes da Guarda Civil Metropolitana, os helicópteros Águia 15 e 17 e unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), foram enviadas para a área. Conforme relatos, os adolescentes teriam cometido suicídio após o crime. A Polícia Militar informou que foi acionada por volta das 9h50min para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo de pequeno porte e vítimas no local, mas ainda não tem mais detalhes. Conforme o Censo Escolar de 2017, a escola tem 358 alunos matriculados na segunda etapa do fundamental (6º ao 9º ano) e 693 estudantes inscritos do ensino médio.