Enquanto Bolsonaro vai de vento em popa, PSL conhece inferno astral para Bivar e Bebbiano

O último boletim médico expedido no domingo 10 sobre o estado de saúde do presidente Jair Bolsonaro não poderia ser melhor: afebril, com antibióticos funcionando contra a pneumonia detectada anteriormente e troca de alimentação parenteral por pastosa. Ele já aumenta a distância de suas caminhadas em um dos corredores do Hospital Albert Einstein e, sentindo-se fortalecido, voltou ao Twitter disparando rajadas com ordens para a Polícia Federal encontrar mandatários por detrás de Adélio Bispo, o autor da facada que o levou a ser operado três vezes.

O partido de Bolsonaro, ao contrário, conheceu no mesmo domingo 10 um ponto bem baixo de inferno astral. Reportagem do jornal Folha de S. Paulo apontou, com direito a manchete, que o PSL criou uma candidata laranja para usar verba pública de R$ 400 mil durante as eleições de 2018. O assunto deve ter forte repercussão nesta segunda-feira 11 e, no dia seguinte, na volta dos parlamentares ao Congresso Nacional.

A denúncia atinge diretamente o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, que é de Pernambuco, e o atual Secretario de Governo, Gustavo Bebbiano. No período apontado pela Folha, ele presidia nacionalmente a agremiação.

Apesar de ter angariado apenas 274 votos no pleito, a “candidata” de Pernambuco Maria de Lourdes Paixão foi a terceira beneficiada que mais recebeu verbas do partido no ano passado, mais do que o próprio presidente eleito e a deputada Joice Hasselmann (SP), que teve 1,079 milhão de votos.

Segundo a Folha, a verba do fundo partidário da sigla foi enviado em 3 de outubro pela direção nacional do PSL para a conta de Maria de Lourdes, que é secretária administrativa do partido em Pernambuco. Sua prestação de contas sustenta que 95% dos R$ 400 mil foram usados para a impressão de 9 milhões de santinhos e 1,7 milhão de adesivos, às vésperas do pleito, em 7 de outubro. Todo esses materiais seriam distribuídos por quatro panfleteiros que ela diz ter contratado.

A reportagem da Folha, porém, visitou o endereço da gráfica em questão, que consta na nota fiscal e na Receita Federal, e não encontrou sinais de que ela tenha funcionado durante as eleições nos locais informados.

Contatada pelo jornal, Maria de Lourdes Paixão afirmou desconhecer as razões de ter sido agraciada com a terceira maior verba do partido e disse que não lembrava do volume nem do quanto gastou na impressão de material na gráfica.

O vice-presidente nacional do PSL, Antonio de Rueda, e o fundador da sigla, Luciano Bivar, disseram à Folha que têm pouca informação sobre a candidatura de Maria de Lourdes e negaram que se trate de manobra de fachada.

Enquanto isso, a Agência Brasil informa que o presidente Jair Bolsonaro começou hoje (10) a redução gradativa da nutrição parenteral (endovenosa), mantendo uma dieta cremosa associada ao suplemento nutricional por via oral, segundo informou boletim médico divulgado na tarde deste domingo pelo Hospital Albert Einstein, onde passou por cirurgia, no último dia 28, para retirada da bolsa de colostomia e reconstrução do trânsito intestinal.

Bolsonaro almoçou creme de mandioca com carne e ingeriu gelatina, além de um suplemento nutricional.

Ele permanece internado na Unidade Semi-Intensiva do Albert Einstein, apresenta boa evolução clínica e está sem febre. De acordo com o hospital, o quadro pulmonar apresenta melhora significativa, e o presidente continua sendo tratado com os mesmos antibióticos. 

Bolsonaro faz exercícios respiratórios e de fortalecimento muscular, alternados com períodos de caminhada.

Por ordem médica, as visitas continuam restritas. Hoje ele não recebeu visitas, nem houve ato administrativo. A esposa Michelle e o filho Carlos Bolsonaro permanecem acompanhando o presidente no hospital.

Twitter

Hoje o presidente publicou no Twitter o primeiro vídeo após a cirurgia em que aparece falando. No vídeo, ele agradece aos profissionais que o atendem no Albert Einstein e aos que o atenderam em setembro, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), logo após a facada que sofreu durante ato de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais. Na gravação, Bolsonaro pede à Polícia Federal solução para o ataque a faca. Ele já havia publicado outros vídeos, nos quais não falava.