(FILES) In this file photo taken on June 06, 2018, Ciro Gomes, Brazilian presidential candidate for the Democratic Labor Party, gestures during an interview for the Correio Braziliense newspaper in Brasilia. Gomes will run for the Brazilian presidency for the third time on October 7, 2018, trying to fill the vacuum left by Brazilian former president (2003-2011) Luiz Inacio Lula Da Silva, who led the vote intention even after being imprisoned. / AFP PHOTO / EVARISTO SA

BR: Com apenas três meses de governo, não é natural o que o noticiário político já exibe: candidatos em profusão à sucessão de Jair Bolsonaro. O normal seria que as notícias mostrassem planos e realizações do presidente que acabou de tomar posse, mas à exceção da reforma da Previdência, tudo o que se são tropeços no protocolo, erros de comunicação, muita briga interna e falta de foco sobre o que de fato é importante para o país. Nessa confusão, os políticos já se apresentam como alternativa para a eleição de 2022, o que faz o noticiário ganhar outros polos de importância, quando poderia estar concentrado apenas no atual presidente.

O governador de São Paulo, João Doria, é que mais vai ocupando o espaço aberto pelos erros políticos de Bolsonaro. Na oposição de um presidente falastrão, Doria se mostra um governador que não cria problemas para si mesmo, e diz presente a situações que exigem sua presença. Foi assim durante as enchentes que tornaram a Grande São Paulo um caos, no começo da semana, e diante do massacre de Suzano, quando, assim que soubesse, Doria foi até a escola alvo da tragédia prestar sua solidariedade às famílias das vítimas. De quebra, no dia seguinte aos ataques, anunciou indenização de R$ 100 mil para cada família vitimada, ganhando para si a marca de benemérito.

Ao lado de Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão foi o primeiro a falar em 2022, ao dizer que, se as coisas forem bem para o governo, ele gostaria de outra vez estar na chapa de Bolsonaro. No entanto, para não ficar com um cavalo só, Mourão vai almoçar com Doria, na próxima segunda-feira, na qualidade de presidente interino, quando Bolsonaro estará nos Estados Unidos. Impossível que ambos, próximos desde a campanha de 2018, não falem, é claro, de 2022.

No Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel, que venceu com um discurso que resvalou pela extrema-direita, já trata de adotar uma postura moderada. Na eleição, ele participou do ato que rasgou uma placa de papelão com o nome de Marielle Franco, mas diante da prisão dos prováveis assassinos dela, pediu desculpas à família pelo gesto anterior. Um movimento diretamente interessado em ampliar sua própria base de apoio. A confusão política do governo fez voltar, com força, o ferino Ciro Gomes, ex-candidato a presidente pelo PDT. A respeito dos seguidos tuítes de Bolsonaro, Ciro saiu-se com uma das suas: “Elegeram um garoto de 13 anos, tuiteiro”, resumiu. Dois dias depois da frase, o presidente do PDT, Carlos Lupi, não perdeu a chance: afirmou que Ciro será novamente candidato a presidente pela legenda. Em 2022, o ano que já começou.