FDR at Hyde Park, 11.4.36. Source = FDRL

Fã nº 1 dos EUA, Bolsonaro deveria imitar Franklin D. Roosevelt e fazer um New Deal à brasileira

BR: Cruzando a situação social de elevação do desemprego e sua condição pessoal de fã número dos Estados Unidos no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro está desafiado a apontar ao ministro da Economia, Paulo Guedes, as soluções encontradas pelos americanos no espetacularmente bem sucedido programa New Deal.

O momento é perfeito. Em meio ao samba de uma nota só da reforma da Previdência, a equipe econômica, pela primeira vez desde a posse, emitiu sinais nesta sexta-feira 29 de que estuda medidas microeconômicas na tentativa de aliviar o quadro crescente do desemprego. De um lado, se pretende ampliar as condições de crédito das empresas. Do outro, se faz segredo sobre o que poderá ser apresentado.

PITADA DE KEYNESIANISMO

Bolsonaro, nesta balança, poderia usar seu peso para fazer a diferença. Ele deveria pedir ao seu ‘Posto Ipiranga’ Paulo Guedes para jogar ao menos uma pitada de keynesianismo em sua fórmula ultraortodoxa de dogma supremo no ajuste fiscal. Se não for possível, como não é, um plano de renovação da infraestrutura brasileira, como ocorreu no New Deal, ao menos recursos para dinamizar o programa Minha Casa, Minha, e ativar o setor de construção civil de grande geração de empregos, já seria um bom alívio. O sucesso da iniciativa poderia mostrar a Guedes e seu ‘dream team’ que um pouco de dirigismo econômico é necessário para amenizar, ao menos, as agruras da grande massa de desempregados. Muitos deles, com as novas vagas de baixa qualificação que a construção civil oferece, ao menos teriam para onde correr.

Da maneira como as coisas estão na base da economia, a saída para os desempregado está única e tão somente no meio da rua. Acredite-se, como quer Guedes, que a reforma da Previdência poderá ter o que ele chama de ‘potência’ para animar os agentes econômicos. Ok. Mas isso, e o próprio ministro admite, vai se dar, se tudo der certo, no futuro.

O problema do Brasil de Bolsonaro, como foi o de Roosevelt em meados da década de 1930, é imediato e urgente. O grande presidente americano tomou as rédeas do país e fez o que ninguém havia feito. Deu certo. Bolsonaro deveria, ao menos, estudar essa fórmula.

Para ajudar, um resumo do que está ao alcance de todos na enciclopédia virtual Wikipédia:

New Deal’ (em português, novo acordo ou novo trato) foi o nome dado à série de programas implementados nos Estados Unidos entre 1933 e 1937, sob o governo do presidente Franklin Delano Roosevelt, com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana, e assistir os prejudicados pela Grande Depressão. Seu nome foi inspirado em Square Deal, nome dado por Theodore Roosevelt à sua política econômica.

Os itens do projeto eram: (I) investimento maciço em obras públicas: o governo investiu US$ 4 bilhões (valores não corrigidos pela inflação) na construção de usinas hidrelétricas, barragens, pontes, hospitais, escolas, aeroportos etc. Tais obras geraram milhões de novos empregos; (II) destruição dos estoques de gêneros agrícolas, como algodão, trigo e milho, a fim de conter a queda de seus preços; (III) controle sobre os preços e a produção, para evitar a superprodução na agricultura e na indústria; e (IV) diminuição da jornada de trabalho, com o objetivo de abrir novos postos. Além disso, fixou-se o salário mínimo, criaram-se o seguro-desemprego e o seguro-aposentadoria (para os maiores de 65 anos). Essas políticas econômicas, até então inusitadas, foram adotadas quase simultaneamente por Roosevelt nos Estados Unidos e por Hjalmar Schacht[1] na Alemanha e, cerca três anos mais tarde, foram racionalizadas pelo economista John Maynard Keynes em sua obra clássica Teoria geral do emprego, do juro e da moeda.[2]