Barroso fica isolado no STF ao chamar de “fofocada” provas de que Dallagnol mandou investigar Toffoli e Gilmar; amizade com procurador é ressaltada

O ministro Luiz Roberto Barroso está ficando isolado dentro do plenário do STF. Apenas um dia após as revelações de que o coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, mandou investigar o ministro Dias Toffoli, sua mulher Roberta e, também, a mulher do ministro Gilmar Mendes, Dagmar, Barroso classificou de “fofocada” o conteúdo dos vazamentos publicados pelo The Intercept e seu parceiro Folha de S. Paulo.

“É difícil entender a euforia que tomou muitos setores da sociedade diante dessa fofocada produzida por criminosos”, afirmou nesta sexta-feira (2), em palestra na Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos (SP). O ministro do STF promoveu um coquetel reservado para Moro, Dallagnol e outros integrantes da Lava-Jato.

“Nada encobre o fato de que a Petrobras foi devastada pela corrupção. Não importa o que tenha, não importa o que saia nas gravações”, insistiu o ministro em sua fala aos empresários. “Parte da agenda brasileira hoje foi sequestrada por criminosos”, continuou dizendo haver “mais fofocas do que fatos relevantes” nas conversas obtidas pelo The Intercept e que vêm sendo divulgadas por outros veículos que atestam sua veracidade.Veja também:  Guilherme Boulos: “Bolsonaro é um cínico asqueroso”

Estratégia comum

Barroso repete a estratégia de Moro e Dallagnol que desvia para a atuação de supostos hackers que teriam invadidos os celulares dos agentes públicos. Moro chegou a dizer que as reportagens que comprovam atuação parcial e ilegal dele frente à Lava Jato estariam “beirando o ridículo”. Desde o início da série de reportagens, o site declara ter recebido o material de uma fonte anônima e que preserva o seu sigilo, que é uma garantia constitucional. As mensagens entre Moro, Dallagnol e outros procuradores da Lava Jato remontam a 2015.

Nas conversas, Moro extrapola de seu papel de magistrado e dá claras recomendações aos procuradores da Lava como cobrar operações e até oferecer dicas à acusação. O Código de Processo Penal, é claro em casos dessa natureza. “O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes” se “tiver aconselhado qualquer das partes”. Sentenças proferidas nessas condições são passíveis de anulação.