BR: O presidente Jair Bolsonaro foi mesmo à guerra nessa segunda-feira 20. Em discurso na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), ele atacou a atuação do Ministério Público, criticou mecanismos de controles de obras públicas e, pela segunda vez no dia, disparou genericamente na direção dos deputados, chegando a ser grosseiro no comentário mais pesado do dia:

“Se dizem que não fiz nada como deputado, graças a Deus. Se fizesse, estaria preso numa hora dessa”, disse Bolsonaro em tom de brincadeira, mas num recado que já reverbera fortemente no Congresso Nacional.

Em relação ao Ministério Público, Bolsonaro igualmente foi virulento:

“Tudo o MP se mete. Algumas vezes com razão, em outras não. E inviabiliza aquela obra”, disse o presidente, em referência ao impasse para construir uma linha de energia entre Manaus (AM) e Boa Vista (RR), o Linhão do Tucuruí.

Sobrou também para os índios e a Funai:

“Uma reserva indígena não nos permite passar o Linhão (do Tucuruí), mas parece que vamos resolver agora. Falei com meu Conselho de Defesa Nacional. A Funai queria um prazo até 15 de maio para ouvir os índios. Esse “ouvir” cada um entenda como bem entender”, ironizou. “Se Deus quiser vamos resolver a questão neste ano. Quando falamos em energia, sem energia não levantamos da cama de casa”, comparou o presidente.

Avançando na linha de se diferenciar do universo político, Bolsonaro mostrou mais repertório:

“Outro dia falei que não nasci para ser presidente. Desceram a lenha em mim. Quem nasceu (para ser presidente) está preso, respondendo processo ou está estocando vento”, disse ele, com uma risada.