Nova política está tão igual quanto a velha: toma lá dá cá, fritura de ministros e negação de fatos

BR: A ‘nova’ política está morta. Os beneficiários da onda Bolsonaro até podem sustentar que está viva, mas a igualdade de práticas com a chamada ‘velha’ política mostra que a marca envelheceu rapidamente e caducou.

Com a oferta dos comandos do Banco do Nordeste, da Companha de Desenvolvimento do São Francisco (Codevasf) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) ao PP, em troca dos votos do partido para a reforma da Previdência e alinhamento geral com o governo, a administração do presidente Jair Bolsonaro se nivela à do então presidente José Sarney, que distribuiu concessões de rádio e TV em troca de cinco anos de poder; de Fernando Henrique Cardoso, que obteve a legislação da reeleição promovendo farras de cargos no Congresso; e também de Lula e Dilma Rousseff, que selaram alianças à direita concedendo ministérios inteiros e estatais para os parceiros que lhes dariam sustentação; Michel Temer, preso na semana passada sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, herdou o esquema e o manteve, impedindo desse modo um processo por crime de responsabilidade.

Bolsonaro não confirma, mas bateu na massa de seus eleitores a informação de que os deputados que apoiarem a reforma da Previdência terão liberações, cada um, de R$ 40 milhões em emendas parlamentares.

Ele confirmou, porém, a recriação dos ministérios da Cidade e da Integração Regional, em lugar do unificado Integração Nacional, como forma de fazer passar, pela troca de interesses, a reforma administrativa.

Nesta segunda-feira 13, a informação da oferta do Banco do Nordeste, da Codevasf e do FNDE ao PP confirma o clássico toma lá dá cá sobre máquinas com orçamentos bilionários, de R$ 23,7 bilhões, R$ 54,5 bilhões e R$ 1,3 bilhão, respectivamente, para 2019.

E o PP ainda está pensando se aceita…

No campo interno, o presidente age na mesma linha de Sarney e FHC, que se acostumaram a fritar ministros pela via da mídia. É o que Bolsonaro tem feito com toda a ala militar de seu governo, dando demonstrações públicas de afeto ao adversário deles Olavo de Carvalho, e, agora, no episódio de revelar publicamente um acordo do tipo inconfessável com o ministro Sergio Moro – a promessa de dar-lhe vaga no STF à primeira oportunidade, em troca da entrada em seu governo.

Mais constrangido, Moro não poderia ter ficado, inclusive negando o acordo também nesta segunda-feira 13. Fica a pergunta, entre as duas versões diferentes, sobre quem, afinal, está mentindo ou, ao menos, dizendo meias verdades neste circuito.

Por fim, a negação dos fatos também é um traço de união entre a ‘nova’ e a ‘velha’ política. O presidente e seu filho Flavio Bolsonaro, em lugar de enfrentarem com brios as suspeitas que pesam contra o atual senador, durante o exercício de seu mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro, com o então assessor Fabrício Queiroz tendo feito todos os movimentos típicos da prática de rachadinha, preferiram dizer que o caso está sendo politizado e não passa de perseguição política.

Nada mais ‘velha’ política essa nova desculpa.