Deu a louca no amigo americano: Olavo racha com governo, xinga ministros de fdp e ordena debanda; fã Eduardo Bolsonaro vai dizer o que?

BR: Os ministros do governo Bolsonaro são “uns traidores filhos da puta dignos de ser jogados na privada”. O vice-presidente Hamilton Mourão é “o general que, emergindo da tediosa e austera secura da vida militar, se vê de repente cercado de luzes, câmeras e gostosas repórteres. Cai de joelhos”. Na mídia, “veículos como Foia (Folha de S. Paulo), Grobo (O Globo) e Anta (site O Antagonista) são porcarias”. Quanto ao governo Jair Bolsonaro, a questão é: “Será que todos votamos no Bolsonaro para ter um governo tucano? Quantos ministros do atual governo pensam que sim?”.

As aspas são todas do autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho, disparadas em sua conta no Twitter, nesta sexta-feira 8. No dia em que o presidente Jair Bolsonaro esteve em paz e calma na rede social, o vulcão do mentor de seus filhos Flávio, Carlos e Eduardo – especialmente deste último – explodiu.

Há notícias de que funcionários comissionados ligados a ele foram demitidos do Ministério da Educação, onde o titular Ricardo Vélez é reivindicado como uma indicação pessoal sua. Os cortes seriam o motivo da ira do polemista que vive nos Estados Unidos e é visto como o intelectual do bolsonarismo.

Silvio Grimaldo, um dos alunos do curso de Olavo de Carvalho, estaria no grupo afastado do MEC. Ele trabalhava diretamente com Rodríguez e seria um dos que influenciam suas decisões. Em sua página no Facebook, ele afirmou que “o expurgo de alunos de Olavo dentro do MEC é a maior traição dentro do governo Bolsonaro que se viu até agora”. Na página na rede social, Grimaldo estampa imagem de curso ministrado por Olavo.

O objetivo, segundo fontes, é “reorganizar a casa” e colocar o foco no que importa na educação. Após reunião entre militares e integrantes da Casa Civil, nesta sexta-feira (8), teria sido decidido que oito funcionários da pasta devem ser exonerados. Durante o Carnaval, Vélez foi aconselhado a mudar o posicionamento para ser “um ministro de fato”.

A carta com o pedido para filmar alunos durante o Hino Nacional e a leitura do slogan de campanha de Bolsonaro não havia sido compartilhada com gestores do primeiro escalão do Ministério da Educação, que só soube do fato através da imprensa.

Também nesta sexta-feira, o próprio Olavo de Carvalho orientou os alunos que teve e que ganharam cargos na nova gestão a deixarem o governo. Em publicação nas redes sociais, ele diz que a equipe de Bolsonaro está cheia de “inimigos do próprio presidente e do povo”.

“Não quero ver meus alunos tendo suas vidas destruídas no esforço vão de ajudar militares acovardados cujo maior sonho é tucanizar o governo para agradar à mídia”, declarou.

Até o momento, o Ministério da Educação não se manifestou sobre o caso.

Olavo de Carvalho igualmente se considera a pessoa que indicou, via Eduardo Bolsonaro, o chanceler Ernesto Araújo para seu atual cargo, assumido sem nem mesmo ter ocupado uma chefia de missão diplomática. A revolta explícita nas tuitadas do ex-jornalista e astrólogo igualmente pode, assim, ter reflexos no Itamaraty. Ele sustenta o alinhamento automático entre o Brasil e Estados Unidos. Após o encerramento da campanha eleitoral, recebeu o marqueteiro do presidente Donald Trump, Steve Bannon, em sua casa. Em seguida, jantou com ele em Washington. Esse relacionamento informal do governo Bolsonaro com o núcleo de comunicação do presidente americano também pode sofrer consequências em razão do destampatório do mentor do bolsonarismo.

As declarações foram publicadas após informação de que a ala militar do governo teria dado ordem para que os comentários do astrólogo fossem ignorados pelo Planalto.