BR: Didático, o ex-ministro Delfim Netto escreve hoje em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo que mesmo com o enorme entusiasmo revelado na eleição de Bolsonaro e que ainda prevalece na sociedade, é impossível negar os seguintes pontos.

1º) O governo é muito desigual. Há áreas exercidas por profissionais de alta qualidade e outras ocupadas por ideólogos amadores;

2º) As pesquisas cuidadosas sobre a opinião pública indicam que o governo dissipou mal sua energia. Ainda não conseguiu convencer a sociedade de que a reforma da Previdência é a sua única prioridade;

3º) A visita a Washington deu resultados pouco palpáveis. O Brasil aceitou alinhar-se como colônia a um império decadente;

4º) A correção de antigos desequilíbrios da estrutura salarial dos militares será motivo de mais uma confusão e pode atrasar a aprovação no Congresso;

E, finalmente, uma espetaculosa operação midiática muito semelhante à de Janot, que impediu a reforma de Temer, disparou uma enorme especulação na sexta-feira negra: depreciação cambial, aumento do juro futuro e do risco Brasil e queda do Ibovespa. Seguramente, nada que Guedes não possa controlar se for realmente apoiado, mas seus custos “potenciais” podem ser enormes.