‘Estilo youtuber’ de novatos incendeia Assembleia de SP e agrava guerra no plenário

A chegada de novatos na Assembleia legislativa de SP  está balançando as  estruturas de uma Casa acostumada à tranquilidadee historicamente alinhada ao Palácio dos Bandeirantes. A observação é da Folha de S.Paulo que diz que os embates na Casa se multiplicaram na esteira do que veteranos da Assembleia chamam pejorativamente de “estilo youtuber” de novos parlamentares. Muitos deles tiveram ajuda das redes sociais para se elegerem e exercem agora o mandato mais inclinados a alimentar suas bases de seguidores do que a manter o até então habitual clima de cordialidade no plenário.

A alfinetada é uma indireta para Arthur do Val, integrante do MBL (Movimento Brasil Livre) que ganhou fama justamente com vídeos no YouTube em que faz perguntas provocativas a militantes e políticos de esquerda. Foi mais ou menos o que ele executou quando subiu à tribuna para criticar os salários dos fiscais de rendas do estado, classe interessada em dois projetos que tramitam na Casa. Com papéis na mão, ele queria expor o nome de deputados que receberam doações eleitorais de agentes da categoria.

Dirigindo-se ao presidente da Assembleia, Cauê Macris (PSDB), que recebeu R$ 186 mil de 92 fiscais, disse: “E o projeto vai ser pautado agora, não é não, Cauê? Que coisa! Deve ser uma coincidência”. “Eu sei que eu vou arrumar briga com muitos de vocês aqui”, continuou, dispensando as formalidades dos oradores no parlamento. “Mas saibam que de mim vocês nunca vão esperar outra coisa, senão coragem.”

O novato separou o trecho da fala captado pela TV Alesp e jogou em seu canal de vídeos. Resultado: mais de 1,3 milhão de visualizações, uma série de elogios de apoiadores dele e uma enxurrada de ataques nas páginas dos deputados citados.

O discurso-denúncia desencadeou reação imediata nos bastidores, com uma articulação para tentar coibir novas falas do deputado contra membros da Assembleia. Na semana seguinte, o colégio de líderes (encontro semanal com porta-vozes das bancadas) durou mais de três horas e foi tomado pelo assunto.

Segundo a Folha, nas últimas semanas, atritos entre parlamentares que iniciaram o mandato em 15 de março incendiaram o espaço, com bate-bocas quase diários, que já descambaram para ofensas e ameaças.