A inflação sob controle e a necessidade de economia transformaram a queda dos juros básicos em um novo “mantra” entre os economistas. Para analistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, há espaço para cortar ao menos um ponto porcentual. Segundo o último Boletim Focus, a perspectiva é de que a inflação pelo IPCA fique este ano em 3,82%, bem abaixo da meta de 4,25%. As previsões também são de inflação abaixo da meta no ano que vem (4%).

Na visão do ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman, as incertezas quanto à melhora da situação fiscal do País têm reduzido a potência da política monetária. “Os juros podem encerrar o ano em 5,5%, o que não resolve as incertezas econômicas, mas ajuda”. Já o professor da Universidade de Brasília (UnB) José Luís Oreiro considera que o BC tem sido conservador demais. “Deve ser o terceiro ano seguido em que a inflação fica abaixo da meta. Isso quer dizer que há muito tempo tem espaço para corte”, sublinha ele. “Se tiver espaço para cortar, sem prejudicar a inflação, não tem motivo para não fazer”, diz José Júlio Senna, responsável pelo Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).