No condomínio Vivendas da Barra, polícia prende suposto assassino de Marielle Franco, ex-sargento PM Ronnie Lessa; notícia repercute no mundo

BR: A polícia chegou ao condomínio em que o presidente Jair Bolsonaro vivia até se mudar para Brasília por volta das quatro horas da manhã desta quarta-feira 12. Fortemente armados, os integrantes da Delegacia de Homicídios procuravam não pelo morador ilustre, mas por um de seus vizinhos, o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos. Deu certo. Ao prender Ronnie, as autoridades policias acreditam ter colocado as mãos em ninguém menos que o assassino da vereadora Marielle Franco, morta a tiros em 14 de março do ano passado. Movimentos sociais do mundo todo cobram o esclarecimento do crime. O noticiário da mídia sublinha que o fato de o suposto assassino morar no mesmo condomínio de Bolsonaro, o Vivendas da Barra, na Avenida Lucio Costa, 3.100, é uma mera coincidência. Amigo de armas e exímio atirador, não se sabe se o vizinho mantinha laços de amizade com o presidente ou seus filhos, igualmente amantes de armas de fogo.

Abaixo, notícia da edição on-line do jornal O Globo sobre a prisão do temido sargento Ronnie Lessa:

A Delegacia de Homicídios (DH) da Capital prendeu na manhã desta terça-feira o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos, por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. O policial teve a prisão preventiva decretada pelo juiz-substituto do 4º Tribunal do Júri Guilherme Schilling Pollo Duarte, após denúncia do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ. Também foi preso o ex-PM, Elcio Vieira de Queiroz, que estaria com Lessa na ação que executou Marielle. As prisões ocorreram por volta das 4h.

Temido pelos próprios colegas, mesmo depois de aposentar a farda, e exímio atirador, principalmente no manejo de fuzis, Lessa foi vítima de uma tocaia em 28 de abril, um mês depois da morte de Marielle. Há a suspeita de que alguém tentou matá-lo como queima de arquivo. O sargento é o principal alvo da primeira operação conjunta da Delegacia de Homicídios (DH) da Capital e do Gaeco para prender os envolvidos na morte da vereadora. As circunstâncias do crime ainda não foram apuradas, assim como ainda não se sabe quem foi o mandante da execução.

Na manhã desta terça-feira, os investigadores foram à casa de Lessa, no condomínio de Vivendas da Barra, na Avenida Lúcio Costa, 3.100, por coincidência, o mesmo do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Não há, porém, nenhuma ligação, a não ser o fato de serem vizinhos. O PM mora num condomínio em frente ao mar, com seguranças na portaria. Boa parte das casas tem piscina e quintal. A principal prova colhida pelos investigadores saiu da quebra do sigilo dos dados digitais do PM. Ao verificar os arquivos acessados por Lessa pelo celular, antes do crime, armazenados na “nuvem” (dados que ficam guardados em servidor externo e podem ser vistos remotamente), eles descobriram que o suspeito monitorava a agenda de eventos que Marielle participava. Para a polícia, é um indício de que a vereadora estava tendo seus passos rastreados. Marielle, segundo a investigação, participou de pelo menos uma das agendas pesquisadas pelo suspeito.