Quando ‘Arnesto’ mais achou que mandava alguma coisa, aí viu que não manda quase nada

BR: Apelidado jocosamente no Itamaraty, à boca pequena, é claro, de ‘Arnesto’, como no samba de Adoniran Barbosa, o chanceler Ernesto Barbosa subiu nas tamancas e teve um chilique quando se viu surpreendido pela participação do deputado Eduardo Bolsonaro na reunião do presidente Jair Bolsonaro com Donald Trump, na Casa Branca. Isso e mais a coluna da jornalista Miriam Leitão, do Globo, que apontou o que embaixadores brasileiros consideraram ser um “rebaixamento” do Itamaraty.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, precisou acudir Ernesto, segundo relato da correspondente do jornal Folha de S. Paulo Patrícia Campos Mello, para que o ataque de nervos não fosse ainda maior.

Na volta ao Brasil, já recomposto, Ernesto elogiou Eduardo Bolsonaro, mas disse que ele próprio teve um papel importante na viagem. “Eu e o deputado Bolsonaro temos uma visão extremamente coincidente, não só sobre a relação com os EUA como sobre a posição e a projeção do Brasil no mundo. Nós fazemos parte da mesma equipe. O deputado me ajudou muito na construção dessa parceria”, disse Araújo.

“Acho excelente que ele possa ter participado da conversa [entre Bolsonaro e Trump] porque reforça inteiramente essas ideias, que são a base do novo relacionamento. Eu me senti distinguido pela participação do deputado Eduardo, ele comunga das mesmas ideias que eu”, concluiu.

O ‘chapéu’ que Eduardo Bolsonaro deu no chanceler, segundo o presidente Bolsonaro, aconteceu porque Trump chamou o filho 03 para dentro do Salão Oval, onde recebeu o colega brasileiro. Isso, na verdade, é o de menos. Eduardo estava à tiracolo com o pai, insinuando-se o suficiente para merecer o chamado do presidente americano que, de resto, sabia que quem estava ali era o filho de um colega. Nessa hora, Ernesto não estava perto o suficiente de Bolsonaro, o presidente, assim como não estava quando, no segundo ponto mais alto da viagem, o presidente visitou a sede da CIA. Toda a articulação para a visita à agência de espionagem, que fez a esquerda torcer o nariz e a direita bater palmas, foi feita por Eduardo, que lá entrou com o pai e o ministro Sergio Moro.

Os diplomatas do Itamaraty estão se divertindo com o ‘by pass’ sofrido pelo chanceler na visita à Washington. Afinal, ‘Arnesto’ tem promovido uma verdadeira caça às bruxas internamente, além de fazer questão de dizer, em todas as suas entrevistas, que é dele o papel de mudar toda a ‘ineficiente’ política externa brasileira das últimas décadas.  

Para os perseguidos, ver o chanceler sofrer é um espetáculo recompensador. No momento em que achou que estava ganhando prestígio junto a Bolsonaro, uma vez que participou ativamente da montagem da viagem do presidente, o chanceler viu que, na prática, o filho do presidente é muito mais que ele no cobiçado relacionamento com os EUA. Um é o manda-chuva, outro é o manda-nada.