Governo indica raposas do mercado para chefiar conselhos de BB, Caixa e BNDES; bom negócio para quem?

BR: No mercado financeiro, ninguém critica. Ao contrário, é sob aplausos dos concorrentes privados do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, especialmente dos players menores, atentos a novas possibilidades para crescer, que vai sendo recebido o polêmico movimento do ministro Paulo Guedes, da Economia, de colocar ‘raposas’ do próprio mercado para tomarem conta dos conselhos de administrações das duas instituições. Além dos bancos estatais de varejo, também o BNDES terá um operador financeiro à frente de sua instância mais alta de decisão.

Sem que tenham a obrigação de se afastar de seus negócios, Luiz Fernando Figueiredo, dono da Mauá Capital, Hélio Magalhães, ex-presidente do Citibank no Brasil, e Gustavo Franco, líder da Rio Bravo Investimentos, estão assumindo como presidentes os conselhos de administração do Banco do Brasil, da Caixa e do BNDES, respectivamente.

O que agora está sendo vendido como normal sempre foi visto como eticamente questionável pela ótica do mercado. O argumento para a presença de concorrentes em cargos mais que estratégicos das instituições públicas é o de que eles serão capazes de injetar o espírito da iniciativa privada nos modorrentos bancos estatais.

O Ministério da Economia não admite que, na mão contrária, os operadores possam carregar informações estratégicas de todo o longo braço estatal do mercado em benefício próprio ou de parceiros. O que não falta a um presidente de um conselho de administração de qualquer empresa, afinal, é informação.

O professor do Mestrado da Fecap e fundador da consultoria Direzione, Alexandre di Miceli, toca no ponto nevrálgico da questão. “Fica sempre em aberto se eles vão agir no interesse financeiro deles da empresa, principalmente se têm maior parte do patrimônio vinculado às gestoras”, aponta. “É uma situação delicada”.

Com a palavra, a CVM.