BR: O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sergio Moro estão mais uma vez em campos opostos. Enquanto o primeiro faz campanha contra os radares de velocidade nas estradas e promete acabar com os de tipo móvel, o segundo reconhece, em documento do Ministério da Justiça, a utilidade dos instrumentos no combate a acidentes.

Acompanhe notícia do jornal O Globo a respeito:

Contrariando o discurso do presidente Jair Bolsonaro , um documento encaminhado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro , à Câmara dos Deputados reconhece que os radares têm “potencial para colaborar” com a redução da violência no trânsito no Brasil. Elaborado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) , o ofício também defende outro sistema ainda mais rigoroso: monitoramento eletrônico de rodovias. Seria uma “solução mais moderna” contra acidentes.

“O controle e fiscalização de velocidade tem potencial para colaborar com a redução da violência no trânsito, contudo não é a única solução, de modo que é extremamente pertinente o debate para o aprimoramento do processo do emprego de radares, lombadas eletrônicas e outros”, diz trecho do documento.

A PRF destaca que o monitoramento eletrônico é “mais abrangente que a mera fiscalização da velocidade por radar”. Este método é mais rigoroso por possibilitar a aplicação de multas a distâncias muito maiores. O monitoramento é feito por meio de salas equipadas com computadores e telas que reproduzem, com alta precisão, imagens de câmeras espalhadas por estradas. O Código de Trânsito Brasileiro prevê que as multas podem ser emitidas à distância sempre que for verificada uma infração.

Moro encaminhou o documento à Câmara no dia 17 de maio, em resposta a um requerimento do deputado Ivan Valente (PSOL-SP). O ofício foi produzido pela PRF em 8 de maio. O parlamentar pediu ao ministro uma manifestação sobre declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro a respeito da retirada de radares das rodovias do país.

O texto da resposta afirma que, rotineiramente, a PRF vem estudando formas de reduzir os acidentes e otimizar suas ações. Diz ainda que o órgão vem acompanhando os posicionamentos do presidente da República, mas esquiva-se de comentar por que a declaração de Bolsonaro que deu base ao requerimento é relativa a uma ordem ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para cancelar a instalação de oito mil radares pelo país.