BTG Pactual na berlinda: André Esteves disponibilizou R$ 15 milhões em espécie ao PT e deu R$ 5 milhões para campanha de Dilma para ser ‘o banqueiro do pré-sal’, diz Palocci

BR: Dono do BTG Pactual, o banqueiro André Esteves disponibilizou R$ 15 milhões de reais para o PT e deu outros R$ 5 milhões, também em espécie, para o pagamento de gastos da campanha presidencial do PT em 2014, ajudando diretamente no fechamento das contas da eleição de Dilma Rousseff. Em troca, acertou antecipadamente com o então ministro Antônio Palocci, em reunião frente a frente, para se tornar “o banqueiro do pré-sal”, por quem passariam todas as operações financeiras da Petrobras relacionadas à exploração das novas bacias de petróleo do País.

A informação, que devolve à berlinda do noticiário policial o BTG e seu proprietário, foi transmitida pelo ex-ministro Antônio Palocci à Polícia Federal, na série de depoimentos que envolvem a sua delação premiada.

Conforme a delação, dias após Dilma ser eleita, Esteves se reuniu com Palocci na sede da consultoria Projeto, que pertencia ao petista, e informou que “gostaria de consolidar definitivamente o relacionamento do BTG com o PT, com o colaborador [Palocci], com Lula e com [a futura presidente] Dilma [Rousseff], tornando-se o banqueiro do pré-sal”. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

Para agradar o PT, Esteves se ofereceu “para realizar qualquer operação de mercado de interesse do governo” e disponibilizou R$ 15 milhões em espécie para o partido.

Uma semana depois da conversa, Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci, teria se encontrado com o próprio Esteves na sede do BTG, em São Paulo. Saiu de lá, segundo a delação, com R$ 5 milhões, que foram usados para pagar a fornecedores de campanha.

Palocci usa em sua delação como elementos de corroboração anotações em agendas e também diz que seu motorista pode comprovar o encontro dele com as pessoas citadas em sua colaboração premiada, relata a Folha. O motorista confirmou que vários entre Esteves e Palocci aconteceram no período, tanta na sede do BTG como na da Projeto, além da casa do próprio banqueiro.

Esteves ficou preso 23 dias em Bangu 1 sob acusação de tentativa de obstrução de Justiça, a partir de articulações que teriam sido feitas com o então senador Delcídio Amaral com o objetivo de conseguir influência na estatal de petróleo. Ao ser solto, sua primeira providência foi contratar para o BTG, pelo salário de R$ 1 milhão por mês, o ex-ministro da Justiça e ex-ministro do STF Nelson Jobim, encarregar de blindar juridicamente o banco e seu maior acionista.

Agora, a delação de Palocci fura essa barreira e realça a proximidade de Esteves e seu grupo com o antigo esquema de poder do PT.