Ambição de Feliciano em ser vice de Bolsonaro desperta ciúmes e divide evangélicos

A bancada evangélica foi ontem unida para um café da manhã com o presidente Jair Bolsonaro, mas nos bastidores os parlamentares ligados ao segmento não estão tão afinados assim. O recente protagonismo do deputado Pastor Marco Feliciano (Podemos-SP), organizador do encontro, está longe de ser consensual. Ele tem dito que se considera o único nome capaz de unir todas as correntes, como Assembleia de Deus, Universal, Batista e Quadrangular e, por isso, deve ser indicado como candidato a vice de Bolsonaro em 2022. Mas Feliciano ainda encontra muita resistência justamente nas denominações que citou.

Ontem, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), ligado ao pastor Silas Malafaia, da igreja Vitória em Cristo, sequer foi ao café da manhã, num exemplo de descontentamento com Feliciano. Entre os dois pólos, Bolsonaro se equilibra abrindo o Planalto a Feliciano, mas trocando mensagens com Malafaia frequentemente. Os evangélicos não se esquecem como o ex-senador Magno Malta, fiel escudeiro na campanha, foi tratado por Bolsonaro ao chegar ao poder, sem lhe dar espaço no governo. Mas Bolsonaro lembra que, até pouco tempo atrás, Malafaia e outros líderes não acreditavam que sua candidatura seria vitoriosa.