Líder informal do governo na Câmara, Van Hattem desperta ciúmes no centrão, admiração dos Bolsonaro e elogios da equipe econômica

Aos 33 anos, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) tem se destacado numa bancada de novatos e provocado ciúmes na cúpula do PSL, o partido do presidente, e a desconfiança dos líderes do Centrão.

Discípulo do escritor Olavo de Carvalho, de quem foi aluno, Van Hattem tornou-se líder do Novo e focou logo na agenda liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes. Em poucas semanas, já trocava mensagens diárias por WhatsApp e telefonemas com o secretário da Previdência, Rogério Marinho, e participava de momentos privados do clã Bolsonaro. “Marcel é uma das gratas surpresas dessa Legislatura”, diz Marinho. “Ele ajuda buscando dados, medindo a temperatura e fazendo a interlocução com os partidos.”

No último dia 13, um domingo, o também deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, convidou Van Hattem para um churrasco em Porto Alegre. O encontro foi na casa da família da noiva de Eduardo.

Defensor do liberalismo econômico, o parlamentar se rotula como um político de direita, mas sem sectarismo. Ainda jovem, segundo ele, viu o pai fechar uma empresa de construção civil “por causa dos altos impostos”. O fato o impactou. Virou leitor voraz da obra de Ludwig von Mises, teórico do liberalismo e do livre mercado, e começou a frequentar o Instituto de Estudos Empresariais – uma organização de apoio ao pensamento liberal fundada pelo empresário Willian Ling, em Porto Alegre. O empresário virou mentor da vida acadêmica e política de Van Hattem. Aos 17 anos, ele se filiou ao PP, pelo qual foi vereador e suplente de deputado estadual, relata o jornal O Estado de S. Paulo.

Nas eleições passadas, já pelo Novo, foi o deputado mais votado do Rio Grande do Sul, com 349 mil votos, quase o dobro da votação de Onyx Lorenzoni (DEM-RS), atual ministro da Casa Civil, que teve 183 mil votos.

A lealdade ao pensamento liberal da equipe do ministro Paulo Guedes já tirou de Van Hattem e do Novo papéis de maior destaque na discussão da Previdência. Em março, durante a escolha do relator na Comissão de Constituição e Justiça, o PSL vetou um nome do Novo, que já estava quase que pré-aprovado pelos líderes.

Quem também vetou os nomes do Novo foram os líderes do Centrão. “Eles são mais governo que o próprio governo”, afirmou o líder do PP, Arthur Lira (PP-AL). O deputado alagoano justificou que não poderia vir da legenda de Van Hattem uma indicação para comandar o processo de relatoria na comissão especial.

Van Hattem rebate as críticas de outros parlamentares. “Não quero criar intrigas, mas não abro mão de minhas convicções para assumir nenhum tipo de papel de destaque na Casa”, disse o deputado. “Por mim, aprovava a reforma do jeito que está”, completou. “Sou independente. Não sou e nem tenho a pretensão de ser líder do governo.”