Joice oferece cargos, mas exige assinatura para provar toma-lá-dá-cá; deputados se revoltam; erro primário na articulação política

BR: O governo Bolsonaro não sabe fazer política. Só pode. Procurado para indicar nomes para cargos federais no estado do Ceará, o deputado Domingos Neto (PSD-CE) descobriu que deveria assinar um papel para sacramentar seu comprometimento com o governo. A exigência de papel passado foi comunicada a ele pela líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann.

Talvez ela não sabia em seu primeiro mandato, mas políticos não são crianças. Os compromissos políticos são firmados na palavra e pode, sim, ocorrer traição, desistência, ruptura. É um jogo. Com bons argumentos, nem de cargos os políticos precisam para votar a favor de alguma causa. Para outras, o apetite deles se abre. Mas assinar a conta como se fazia antigamente com os cartões de crédito – ou digitar a senha, como se faz hoje em dia – isso nunca existiu.

A desconfiança é a de que o governo queira os compromissos de papel passado para usar esses documentos informais em caso de algo sair errado na hora do voto. Um cabresto, por assim dizer.

O problema é que, como avisa Domingo Neto, os políticos até podem colocar cabresto em seus eleitores, mas não aceitam carregar seus próprios grilhões.

“Não aceitaremos cargos até que o governo mude a forma de se relacionar”, disse o parlamentar cearense, dando todo o serviço:

“O governo, por meio da deputada Joice Hasselmann, chamou todas as bancadas para oferecer cargos federais nos estados. Ocorre que eles querem que os deputados assinem essas indicações. Você tem de assinar a indicação. Não foi dito isto expressamente, mas todos interpretaram essa exigência da assinatura como uma obrigação de se comprometer como a reforma da Previdência”, contou ele ao empresário Diego Mainardi, do site Antagonista.

“Não aceitaremos toma lá, dá cá”, finalizou o parlamentar. Pode?