Janaína: “Visão conspiratória está afundando Bolsonaro. Ele precisa trocar urgentemente seus assessores”

A deputada estadual Janaina Paschoal, estrela do PSL com seus 2 milhões de votos e responsabilidade direta no impeachment de Dilma Rousseff, acredita que o episódio da carta compartilhada por WhatsApp pelo presidente Jair Bolsonaro na sexta-feira, em que o Brasil é descrito como país “ingovernável” sem “conchavos políticos”, mostra que ele “precisa, urgentemente, trocar seus assessores”. É o que ela diz em entrevista à BBC Brasil, ressaltando que as teorias de conspiração estão “afundando” o presidente.

Acompanhe:

BBC News Brasil – Como a senhora avalia a carta divulgada pelo presidente?

Janaina Paschoal – O presidente é muito espontâneo. Ele achou a análise interessante e compartilhou. Não acredito que ele tenha pensado na dimensão que o fato tomaria. Nem mesmo o autor do texto imaginava. Não vejo nada tão grave na situação. Estão conferindo uma dimensão maior do que a real.

BBC News Brasil -Mas repassar uma carta que ataca o Congresso foi algo que deveria ser feito em um momento em o governo tem um desgaste na sua relação com o Legislativo? Isso não é um endosso do presidente às visões ali expostas?

Paschoal – Veja, eu dramatizo menos essas questões. Ele ainda não entendeu que todos os seus atos são interpretados, considerados, enfim, importantes. Ele fez um compartilhamento como outro qualquer. Não vislumbro que tivesse atacando o Congresso, ou sinalizando uma renúncia. Ele precisa, urgentemente, trocar seus assessores diretos. As pessoas que o cercam alimentam a visão conspiratória que o está afundando.

BBC News Brasil – Quem seriam os assessores do presidente que deveriam ser trocados? Quem alimenta nele esta visão conspiratória mencionada pela senhora?

Paschoal – Somente o presidente pode identificar quem o está estimulando em teorias crescentemente conspiratórias. Precisa parar com tanta xaropada e focar no trabalho. Eu não vou abandonar o presidente, vou exigir que ele trabalhe e cumpra suas promessas de campanha.

BBC News Brasil -A senhora é professora de uma universidade pública. Considera os contigenciamentos na área de educação (e sua comunicação) adequados?

Paschoal – Os contingenciamentos são adequados, necessários e já foram feitos em outros governos, inclusive nos do PT. A comunicação poderia ter sido melhor.

BBC News Brasil – Como a senhora avalia as manifestações ocorridas nesta semana por causa dos contigenciamentos?

Paschoal – As manifestações não foram pela educação, foram por Lula Livre e todas as pautas esquerdistas, o contingenciamento foi apenas uma desculpa.

BBC News Brasil – O presidente chamou os manifestantes de idiotas úteis. A senhora concorda com essa avaliação? Ele agiu corretamente ao expressar esta opinião?

Paschoal – Não. Ele segue sendo como sempre foi. Mas o cargo exige que ele se aprimore minimamente. Para tanto, precisa parar de ouvir quem o estimula a manter o estilo de deputado temático.

BBC News Brasil – Nesta semana, o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, disse que existe uma tentativa por parte do Legislativo de fazer o governo gastar mais do que deve, o que abriria caminho para um pedido de impeachment. Como a senhora avalia isso? O presidente corre esse risco?

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Paschoal – O Presidente não corre risco de impeachment, pois não cometeu nenhum crime de responsabilidade. No entanto, o Congresso precisa compreender que o momento é delicado e que a população sabe que a MP 870 (que reduz o número de ministérios) precisa e pode ser votada, bem como que a reforma da Previdência é uma necessidade.