“Covardes”. É Maria Cristina Frias sobre irmão Luiz Frias e cunhada; Bolsonaro vibra e se diverte com crise política na Folha; demissões previstas

BR: Nos bastidores de sua visita aos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro tem revelado sua profunda satisfação com a forte crise interna que se abateu, repentinamente, sobre a Folha de S. Paulo. O jornal paulista é considerado por ele seu maior opositor na mídia tradicional. Bolsonaro tem dito que quer mais é que o jornal se exploda. Na prática, é o que está acontecendo.

A troca, ontem, do comando da Diretoria de Redação da Folha teve todos os requintes de humilhação contra Maria Cristina Frias, filha do fundador Octavio Frias de Oliveira e irmã dos acionistas, como ela, Luiz Frias e Otavio Frias Filho (falecido em agosto do ano passado). Ela chegou na manhã de ontem ao jornal acreditando que desempenharia normalmente suas funções, mas até seu e-mail profissional já estava bloqueado. A herdeira soube desse impedimento logo após ser informada sobre a circulação do comunicado formal, assinado pelo irmão Luiz Frias, presidente do Grupo Folha, informando que o jornalista Sergio Dávila assumira, a partir daquele momento, como novo diretor de Redação. Ao tentar abrir seu e-mail para ler o texto, Maria Cristina descobriu que havia sido bloqueada.

Na véspera, em reunião com a viúva de Otavio Frias Filho, Fernanda Diamant, herdeira das ações do marido falecido, formou-se a maioria pela mudança. No Grupo Folha, apenas três acionistas têm direito a voto, os dois presentes à reunião e Maria Cristina.

Já destituída do cargo, Maria Cristina teve estômago para participar de um almoço com editores, no qual chamou o irmão e a cunhada de “covardes”. Ele se fez acompanhar por um advogado. A previsão é que a destituição resulte, agora, em uma rumorosa briga judicial. Na edição de hoje, a Folha não traz mais o nome de Maria Cristina e nem publica a coluna Mercado Aberto, que ela assinava. O espaço foi preenchido pela coluna Painel S.Bolsonaro está vibrando com a crise porque, além da briga em si, os planos de Luiz Frias para o jornal são de redução. Estão previstas demissões na redação já para os próximos dias.

Luiz Frias não acredita na plataforma papel e já vinha negaceando investimentos no jornal desde antes da morte de seu irmão Otavinho. Controlador do portal UOL, que levantou na Bolsa de Valores de Nova York nada menos que US$ 1,17 bilhão em seu IPO (abertura de venda de ações ao mercado) em cima de seu produto financeiro PagSeguro (maquinha de captação de pagamentos), ele pretende fazer com que a Folha, jornal, diminua seu nível de oposição ao governo. Frias quer evoluir o PagSeguro para a situação de ser um banco digital e, para tanto, acreditar que irá precisar de bom trânsito com as autoridades da área política e econômica.

O Conselho Editoral da Folha também foi inteiramente reestruturado, com a inclusão de jornalistas da redação e exclusão do veterano Jânio de Freitas.