Oposição toma a frente da CCJ, governistas se recolhem e Guedes, chamado de ‘amigo dos bancos’, tem de devolver sozinho ataques sofridos

BR: Após três horas de reunião da CCJ, quando se pensava que as baterias mais pesadas da oposição já haviam sido descarregadas, novos disparos potentes sobre a proposta defendida pelo ministro Paulo Guedes se deram.

“Isso aqui não é teste de tranquilidade ou fala mansa, queremos respostas para o que estamos perguntando”, iniciou deputado Alessandro Molon (Rede-RJ). “No meu entendimento, essa PEC está repleta de inconstitucionalidades e não deve passar por essa Comissão. O sr. está certo, ministro, quando diz que quer dar uma solução final à Previdência. De fato, a sua proposta acaba em definitivo com a Previdência brasileira”, prosseguiu. “O sr. está destruindo os pilares da Previdência brasileira, entregando o povo brasileiro à própria sorte”.

Molon agregou que a PEC da Previdência que propõe uma economia de R$ 1 trilhão em dez anos terá 91,17% dessa economia “em cima do regime geral, do abono de quem ganha mais de um salário, do Benefício de Prestação Continuada”. O deputado atacou mais: “O sistema que o sr. quer que o Brasil adote está levando os aposentados do Chile ao suicídio”. E avançou: “O sacrifício que o sr. pede não é justo. Uma servidora a quem faltariam nove meses para se aposentadoria, pela sua proposta vai demorar mais 11 anos. Isso é justo? No regime geral, quem precisa de dois anos e meio vai precisar de mais 17 anos”, contabilizou.

Abaixo, notícia anterior de Br2Pontos:

Com preponderância de parlamentares da oposição, entre PT, PDT e PSOL, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi taxado na reunião da CCJ desta quarta-feira 3 de “amigos dos bancos” e realizador de uma proposta de reforma da Previdência que vai prejudicar os mais pobres e beneficiar a parcela mais rica da população. Ele não contou com apoio de parlamentares governistas para fazer sua defesa, tendo de rebater as acusações sozinho, sem intervenções favoráveis na primeira hora e meia do encontro da CCJ.

Somente duas horas depois do início da reunião, dois deputados da base governistas, o Coronel Tadeu e o líder do governo na Casa, Vitor Hugo, tomaram a palavra. Eles, no entanto, não defenderam Guedes das críticas feitas, mas buscaram uma análise técnica da PEC da Previdência.

O cerco a Guedes estão tão apertado que até o fato de ele não se dirigir aos parlamentares pelo nome foi registrado pela oposição. Um dos parlamentares pediu a ele para ter a elegância de chamar as pessoas pelos seus nomes.

“Meu nome é Paulo Teixeira”, iniciou o experiente parlamentar do PT de São Paulo. “O senhor é um rentista”, desferiu ele, em tom acusatório, logo em sua segunda frase. “O sr. quer levar o dinheiro da Previdência pública, R$ 1 trilhão, para todo o sistema financeiro, para os fundos privados. O sr. diz que quer deixar os grandes sonegadores para depois, os grande devedores para depois, mas agora o sr. quer ir para cima do Benefício de Prestação Continuada”, disse o parlamentar. “O sr. quer uma carta branca, quer desconstitucionalizar as regras, para ficar mais fácil de aprovar”, prosseguiu. “A sua proposta é cruel com os mais pobres”, concluiu Teixeira, que adiantou que iria pedir a declaração de imposto de renda do ministro, para checar um eventual conflito de interesse.

Guedes respondeu: “Meu imposto de renda foi entregue no primeiro dia, na comissão de ética”, avisou Guedes. “E não aceito a classificação de rentista. Eu não classificou o sr, Paulo Teixeira, como representante da velha política. Eu criei muitas coisas interessantes, como implantar os cursos de MBA no Brasil”, assinalou Guedes. “Eu fui um empreendedor a vida toda. E gostaria de ter sido professor, mas eu não era de patota nenhuma. É muito dura a vida de quem não tem grupo. A garantia que eu dou é que estou tentando fazer o meu melhor”, respondeu o ministro, despertando aplausos no recinto.

Antes, Guedes se defendeu:

“Falou-se muito em banco, banco, banco. Mas não serão os bancos que vão gerir o regime de capitalização, mas empresas especializadas nisso. Elas serão totalmente separadas, capital separado, indústrias separadas. Se houver o sistema de capitalização, ele não será do banco”.

Por falar em processo, é muito interessante. O Brasil foi dilapidado por quadrilhas, mas eu fui procurado por interventores de fundos de pensão porque o meu fundo devolveu o dobro do investimento dos fundos de pensão. Quando começou esse rolo todo, eu é que comecei a não querer o dinheiro dos fundos. Curiosamente, quando começou a campanha política, começaram a aparecer coisas aqui e ali, que não prosperaram. Eu não carimbo nada nas costas dos outros”.

PSOL entrega requerimento de informações a Guedes sobre acusação acolhida no TCU sobe desvios de R$ 1 bi em fundos de pensão

BR: A deputada Talíria Perrone (PSOL-RJ) entregou um requerimento de informações ao ministro Paulo Guedes, em nome da bancada do partido, no sentido de obter dele notícias a respeito da acusação acolhida pelo Tribunal de Contas da União sobre desvios de R$ 1 bilhão em fundos de pensão. Segundo o Ministério Público Federal, Guedes e suas empresas seriam os principais beneficiários do esquema ocorrido entre os anos de 2005 e 2009.

Abaixo, notícia anterior sobre a presença do ministro na CCJ:

Guedes rebate e provoca o PT na CCJ: “Parece que houve um impeachment por irresponsabilidade fiscal. E que depois acharam mais coisas…”

BR: Apertado por questões lançadas por deputados do PT e do PDT, o ministro da Economia, Paulo Guedes, alternou respostas pontuais e provocações ora diretas, ora indiretas ao PT, como essa:

“Todo mundo sabe quem deu subsídios, quem dobrou os subsídios de 2 por cento do PIB para 4 por cento do PIB. Todos sabemos quem criou o regime dos campeões nacionais, quem aproximou os amigos. Ninguém é ingênuo aqui”, disse ele, referindo-se à iniciativas do então presidente Lula.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) reagiu ao discurso de Guedes, afirmando que ele poderia ter sua participação desqualificada na CCJ. Ela, entretanto, não contou com apoio nessa iniciativa ao presidente da Comissão, Filipe Franceschini (PSL-PR).

O deputado Josué Guimarães (PT-CE), ao tomar a palavra, provocou o secretário nacional da Previdência, Rogério Marinho, “que pagou um preço muito alto pela reforma trabalhista que fez”. Marinho não foi reeleito ao parlamento.

Abaixo, notícia anterior a respeito:

CCJ com Guedes tem clima tenso e questionamentos fortes de PT e PDT: “Como tirar R$ 900 bi dos pobres que não têm?”

BR: O clima na CCJ é tenso diante do depoimento do ministro da Economia, Paulo Guedes. De início, houve um debate acalorado entre ele a deputado Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT. Guedes usou a Venezuela como exemplo de fracasso do sistema previdenciário. Gleisi retrucou chamando o exemplo de provocação. Em seguida, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) cobrou do ministro explicações sobre como pretende enxugar o sistema geral da previdência em R$ 900 bilhões, nos próximos dez anos, se é nesse sistema que estão incluídos os trabalhadores e as camadas mais pobres da população.

“Se o sistema de capitalização é tão bom, porque os militares não aderiram a ele?”, questionou o deputado Alencar Braga (PT-SP), a respeito do plano de Guedes de mudar, num segundo momento, o modelo previdenciário.

Após a bateria de perguntas de deputados do PT e do PDT, o ministro Paulo Guedes deu números sobre os déficits dos regimes previdenciários. “Estados e municípios estão com um déficit de R$ 100 bilhões, apesar de terem fugido para o regime de capitalização. O déficit do regime geral está em R$ 180 bilhões. O do servidores, 50 bilhões, e o dos militares, R$ 10 bilhões”, contabilizou.

Guedes afirmou que “não há, obviamente, nenhum plano de tirar dinheiro de quem não têm. O que está acontecendo é que os 80 por cento da parte debaixo da sociedade vão recolher menos, mas vão permanecer mais tempo, como todos, no mercado, contribuindo por mais tempo”.

O ministro da Economia apontou de ontem vem o déficit: “Do ponto de vista da reforma da Previdência, os militares estão contribuindo com R$ 97 bilhões. O regime geral vai contribuir com R$ 700 bilhões, mas como são 70 milhões de pessoas, dá pouco para cada uma. No caso dos trabalhadores rurais, 30 por cento do regime geral são rurais, mas eles respondem por 60 por cento do déficit, No campo, temos 6 milhões de pessoas cadastradas no sistema, mas 9 milhões de pessoa recebendo. Então tem alguma coisa errada. Será que distribuíram duas, três senhas para cada pessoa?”

Citando mudanças anteriores na Previdência feitas em governos do PT, dos presidente Lula e Dilma Rousseff, Guedes lançou uma provocação:

“Parece que houve um impeachment por irresponsabilidade fiscal. E que apareceu mais coisa depois”, disse ele.

Abaixo, notícia anterior de Br2pontos:

Guedes na CCJ sem ajuda de Maia; “Não vou levar maracugina para ele, não”, diz presidente da Câmara

A expectativa em torno da ida do ministro da Economia, Paulo Guedes, à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara nesta quarta-feira (3/4) é de total embate. Não só porque os deputados de oposição já reservaram os primeiros questionamentos ao ministro, mas também a contar pelo temperamento de Guedes, conhecido por seus rompantes.

Nesta terça-feira (2), após receber líderes para discutir a reformulação das regras para aposentadoria dos brasileiros na residência oficial da Câmara, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), esquivou-se de acompanhar o ministro ao compromisso na CCJ e da tarefa de colocar panos quentes em possíveis confrontos entre o economista e os congressistas.

Na semana passada, no Senado, o presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP) chegou a acompanhar o ministro em sua ida à Comissão de Assuntos Econômicos. O presidente ficou sentado ao lado do ministro por mais de duas horas, enquanto os senadores questionavam pontos da reforma. Maia explicou o ato do correligionário.

“O Alcolumbre aprendeu a ficar sentado muito tempo e não sair nem para ir ao banheiro em sua eleição para a Presidência do Senado”, brincou. Só a primeira parte da votação que elegeu Alcolumbre, num sábado, durou mais de oito horas.