Gol: R$ 7 milhões em propina ao MDB para tirar R$ 300 milhões da Caixa

O empresário Henrique Constantino, um dos donos da Gol Linhas Aéreas, afirmou em delação premiada ter repassado R$ 7 milhões em propina a pedido do ex-presidente da República Michel Temer e de ter pago “benefícios financeiros” ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

No depoimento, Constantino afirmou que Temer, então vice-presidente da República, participou de uma reunião em junho de 2012 em Brasília, junto com Eduardo Cunha (MDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (MDB-RN), que eram deputado na época.

Segundo o empresário, durante o encontro o grupo solicitou o pagamento de R$ 10 milhões “em troca de atuação ilícita de membros do grupo em diversos negócios, como foi o caso da operação da Via Rondon com o FI-FGTS”, fundo de investimento controlado pela Caixa Econômica Federal. Geddel Vieira Lima, ex-diretor do banco público, e Lúcio Funaro, operador de propina do MDB, também são citados na delação.

A delação traz ainda a acusação de pagamento de R$ 250 mil em propina a Geddel em razão da sua atuação na aprovação da linha de crédito da Oeste Sul, uma outra companhia ligada a Constantino. O pagamento teria sido intermediado por Funaro.

Também são citados pagamentos ao ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel e patrocínio de uma liga de futebol americano no Brasil com “intervenção” do ex-deputado federal Vicente Cândido.

O acordo, firmado com a força-tarefa da Operação Greenfield, da Procuradoria da República do Distrito Federal, foi homologado pelo juiz da 10.ª Vara Criminal Federal do Distrito Federal, Vallisney de Souza Oliveira, no dia 25 de fevereiro. A delação tem 10 anexos e cita ao menos 12 políticos. No documento não há detalhamento sobre a citação ao presidente da Câmara, mas, segundo o magistrado, os diferentes capítulos do acordo trazem relatos de crimes e têm “regular índice de elementos probatórios”.

Como parte do acordo, o empresário se comprometeu com a Justiça a devolver R$ 70, 8 milhões a título de ressarcimento à Caixa Econômica Federal e ao FGTS – equivalente a dez vezes o valor da propina. A empresa ViaRondon, ligada a Constantino, recebeu um financiamento de R$ 300 milhões do FI-FGTS.

Constantino implica o presidente da Câmara como recebedor de “benefício financeiro” por meio da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear). A entidade foi criada em 2012 para defender os interesses das empresas do setor. São citados também na colaboração, como beneficiários, o ex-senador e atual presidente do MDB Romero Jucá (MDB-RR), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além dos ex-deputados Vicente Cândido (PT-SP), Marco Maia (PT-RS), Edinho Araújo (MDB-SP), Otávio Leite (PSDB-RJ), Bruno Araújo (PSDB-PE), entre outros.


Ainda “sobre a reunião em junho de 2012 em Brasília com Eduardo Cunha e Henrique Alves, informou ainda que se reuniu com eles e o então vice-presidente Michel Temer”, acrescentando que “ficou claro, nessa reunião, que a contribuição dos R$ 10 milhões era em troca de auxílio aos pleitos do depoente por esses membros do então partido PMDB”, diz trecho do depoimento.

Os R$ 10 milhões solicitados, foram pagos da seguinte forma: R$ 7,077 milhões divididos em duas partes, afirmou Constantino. Uma fatia do valor seria destinada para a campanha do ex-deputado Gabriel Chalita, então integrante do MDB, à Prefeitura de São Paulo em 2012. A outra, para empresas indicadas por Funaro, como Viscaya e Dallas.