No decorrer da crise, amizade entre Bolsonaro e Bebbiano virou “ódio”

Nos bastidores da crise política em torno a demissão do secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebbiano, sobressai o fato de a proximidade entre ele e o presidente Jair Bolsonaro ter-se tornado uma relação de “ódio”, na expressão veiculada pelo chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Bolsonaro já estava decidido na sexta-feira 15 a demitir Bebianno. A acusação feita pelo presidente é a de que o ministro estava atuando por interesses próprios e contra o governo. Neste contexto, os dois se encontraram pela primeira vez no fim da tarde, no Palácio da Alvorada, após o ministro ter ficado dois dias na “geladeira”. O tom da conversa foi descrito por quem a acompanhou como ríspida e o clima que pouco antes era de fim da crise voltou a azedar.

Antes do encontro com o presidente, Bebianno se reuniu com os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Santos Cruz (Secretaria de Governo), quando foi avisado de que seria mantido no cargo. Bolsonaro havia cedido às pressões de civis e militares de dentro e fora do governo. Até mesmo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pediu pelo ministro, hoje sua ponte com o Planalto.

A reviravolta ocorreu, segundo revelou a TV Record, quando o presidente tomou ciência de que Bebianno teria vazado áudios de duas conversas entre eles pelo WhatsApp com orientações de trabalho. A versão foi confirmada por um auxiliar do ministro. Seria o troco no vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, por ele ter publicado no Twitter mensagem de voz com o presidente negando uma afirmação do ministro.

A esta altura, Bolsonaro se convenceu de que fora traído e avisou a Bebianno e aliados sobre a demissão. Agora, a saída do ministro será formalizada na segunda-feira 18, no Diário Oficial. Também Bebianno avisou a aliados que deixará o cargo.