Candidato do PT a vice-presidente, Fernando Haddad 17/04/2018 REUTERS/Leonardo Benassatto

Haddad se torna fiscal oficial do PT para assuntos da gestão Bolsonaro e manter-se em evidência

Uma espécie de ombudsman externo ou, para simplificar, um fiscal dos principais movimentos do governo de Jair Bolsonaro. Esse é, a partir de agora, o papel oficial do ex-candidato a presidente Fernando Haddad dentro da estrutura do PT. Na reunião de dois dias da Executiva do partido encerrada ontem, em São Paulo, os dirigentes criaram o cargo de coordenador dos Núcleos de Acompanhamento de Políticas Públicas (NAPPs), instalando Haddad em seu comando. Dessa maneira, o partido pretende dar a maior visibilidade possível para o ex-prefeito paulistano, que após a derrota nas eleições presidenciais já realizou uma viagem de contatos políticos na Europa e vem se notabilizando por criticar o governo Bolsonaro nas redes sociais.

A promoção de Haddad dentro da estrutura partidária é um claro sinal de investimento político sobre ele, especialmente diante da situação do ex-presidente Lula, condenado em primeira instância a 12 anos e 11 meses de prisão e, em segunda, a 12 anos e 1 mês, totalizando 25 anos de penas pelos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia.

Por isso, o partido se esforça para manter o protagonismo de Haddad, hoje o nome mais visível da legenda, como opção eleitoral. A coordenação dos recém-criados NAPPs foi a forma encontrada pela direção para dar protagonismo ao ex-prefeito, diante da dificuldade de criar palanques e capitalizar os 47 milhões de votos recebidos por ele na eleição presidencial de 2018. Segundo dirigentes que participaram da reunião da Executiva Nacional do partido, a importância de Haddad hoje para o PT foi resumida em uma frase de Alberto Cantalice, um dos vice-presidentes da sigla, durante o encontro: “Haddad é hoje a maior liderança do PT, solta”, disse Cantalice à direção do partido. No ano passado, aliados de Haddad articularam seu nome para substituir Gleisi Hoffmann na presidência da sigla. A articulação não vingou.