A indústria de transformação brasileira começou o ano em um nível de ociosidade alarmante. É o que revela os resultados de um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), para o jornal O Estado de S.Paulo.

Segundo o estudo, no primeiro trimestre, a maioria dos segmentos industriais trabalhou ocupando uma parcela do potencial produtivo das fábricas abaixo da média histórica. Apenas dois de 15 segmentos avaliados, o farmacêutico e o de papel e celulose, usaram a capacidade de produção de suas fábricas em níveis considerados elevados, isto é, acima da média histórica, enquanto a indústria do vestuário registrou ocupação em níveis considerados normais. “Continuamos com muita ociosidade, o que retrata o ritmo lento da economia. Por isso a indústria não tem necessidade de investir”, diz Aloísio Campelo, responsável pelo levantamento.
O estudo mostra que a indústria de transformação usou, no primeiro trimestre, 74,6% do seu potencial. Essa marca está abaixo da média histórica, de 81%. Quando se avalia a ocupação da indústria por categorias de uso, todas utilizaram, no período analisado, uma fatia menor da capacidade produtiva de suas fábricas do que no passado.
A maior diferença entre o nível de utilização da capacidade atual e a média histórica, descontadas as variações sazonais, ocorre nos fabricantes de bens de capital, que no primeiro trimestre estava 10,1 pontos abaixo da média histórica. Em seguida aparecem os bens intermediários (-6,1 pontos) e os bens duráveis (-4,7 pontos).