Caixa tenta recuperar ‘dívidas perdidas’ de 3 milhões de clientes e recuperar até R$ 4 bilhões

Seguindo o caminho dos grandes bancos, a Caixa Econômica Federal vai tentar recuperar dividas “perdidas” de cerca de 3 milhões de clientes. Essas dívidas, vencidas há mais de um ano, devem receber descontos de 40% a 90%. A CEF espera, com a medida, recuperar até R$ 4 bilhões.

Os bancos vêm reforçando a cobrança dos devedores, comprando, inclusive, empresas especializadas na recuperação de empréstimos vencidos e não pagos, os chamados créditos podres. O Itaú Unibanco adquiriu a Recovery, o Santander Brasil comprou 70% da gestora Ipanema, que foi rebatizada e passou a se chamar Return, e o Bradesco fechou o ciclo ao adquirir, em outubro, o controle da RCB Investimentos. Banco do Brasil e Caixa já tinham os próprios braços de recuperação.

A medida ampliou os recursos recuperados, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e Banco do Brasil recuperaram R$ 82,4 bilhões em créditos renegociados, montante quase 4% maior que o visto um ano antes.

Cerca de 2,7 milhões de pessoas físicas e 300 mil empresas deixaram de negociar com a CEF e passaram a tomar dinheiro com financeiras. As dívidas que a Caixa quer recuperar estão, em sua maioria, no crédito consignado e no cartão de crédito.

Segundo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, 90% desses calotes são operações inferiores a R$ 2 mil, o que deixa o banco otimista em relação ao pagamento. “Se recuperarmos R$ 1 bilhão, esse já será um resultado excelente”, disse.

O presidente da Caixa também anunciou que o banco estatal vai abrir uma nova linha de crédito imobiliário que terá a cobrança de juros conforme a variação da inflação. Será a primeira instituição a ir nessa direção, após as mudanças das regras do setor, no ano passado. Segundo disse ao Estadão/Broadcast, a nova linha terá R$ 10 bilhões, podendo financiar até 46 mil imóveis.

Atualmente, os financiamentos de imóveis da Caixa cobram juros calculados pela Taxa Referencial (TR) acrescida de 40% da Selic (equivalente a 4,5%, atualmente). A nova linha da modalidade cobrará a variação da inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acrescida de taxa de 4%.

Segundo o presidente do banco, isso facilitaria a conversão dessas operações de empréstimos em títulos a serem negociados pelo banco no mercado financeiro, a chamada securitização da carteira. “Essa modificação tornará mais fácil securitizar essa carteira. O mercado compra uma linha de IPCA, mas não compra uma linha de TR”, explicou Guimarães.

De acordo com o executivo, essa nova linha será financiada integralmente com recursos da poupança e o banco fará um hedge (proteção) em seu balanço para absorver eventuais flutuações do IPCA ao longo das operações, que normalmente têm prazos de até 30 anos.