‘Plano Guedes’ faz cortesia com chapéu alheio, conta com baixa de juros pelo BC e projeta miríade de R$ 4,59 trilhões de resultados em 10 anos; dá mesmo para acreditar?

BR: Com o aval da revista Veja, que até o batizou, o ‘Plano Guedes’ circulou, em seus principais pontos, nesta sexta-feira 26. A publicação comprada recentemente junto com a falimentar Editora Abril pelo advogado Fabio Carvalho, com recursos do BTG Pactual de André Esteves, aponta em oito páginas medidas econômicas que serão anunciadas “nas próximas semanas”. Uma delas extrapola largamente as funções de Guedes como ministro da Economia, porque implica na baixa de 1% na taxa de juros estabelecida pelo Banco Central, a Selic. Além de ser um adiantamento de uma decisão não tomada, é diretamente uma pressão sobre o BC quem reza a cartilha liberal, deve ser operado com independência em relação ao governo. Com o chapéu alheio, assim, o plano estima uma economia de R$ 42 bilhões, pelo governo, em pagamento de juros, no caso de a Selic descer mesmo.

Feito pela soma de pequenas medidas, o Plano Guedes estima uma receita para o governo, por meios diretos, como a venda de estatais, ou indiretos, com a economia de gastos, de nada menos que R$ 4,59 trilhões em dois anos. “Os olhos de Guedes brilham diante dessa cifra”, diz o texto.

Não há explicações convincentes sobre como se chegou a essa soma. O certo é que, pelo plano, o dinheiro que entrar será usado no abatimento da dívida pública – e não fala em nenhuma linha até aqui sobre investimentos diretos, pelo estado, na economia, usando e abusando de parcerias e vendas de ativos. Mais uma vez, fazendo reverência com o chapéu alheio.