Sessão Extraordinária Plenário Ulysses Guimarães Dep. Jair Bolsonaro Foto: Beto Oliveira 30.06.2011

BR: Esqueçam o Jair Bolsonaro palanqueiro, que prometia enfrentar o mundo político como um dom Quixote e inaugurar um novo tipo de relacionamento com o Congresso e, também, com o Poder Judiciário, sem trocas de favores e acordos de bastidores.

É o que indica o colunista Tales Faria, do portal UOL, no texto ‘Bolsonaro paz e amor’ trabalha para amansar o Congresso e o STF.

Acompanhe:

A derrubada pela Câmara do decreto presidencial de ampliação do sigilo de dados, na semana passada, surtiu o efeito desejado pelos políticos sobre o presidente da República. O Jair Bolsonaro que entrou e saiu da campanha dizendo que não negociaria com partidos e seria duro com a velha cúpula do Judiciário não existe mais. Bolsonaro já cedeu ao Congresso nos pedidos de indicação de políticos para cargos públicos e está acenando com recuos no projeto de reforma da Previdência.

Em relação ao Judiciário, transformou o limão de uma crise entre a Receita Federal e o Supremo Tribunal Federal na limonada de uma abertura do canal de diálogo com dois dos mais influentes ministros da Corte: Gilmar Mendes na terça-feira (26), em telefonema intermediado pelo Secretário da Receita, Marcos Cintra. Desculpou-se em nome do governo pelo ocorrido e, segundo apurou o UOL, pediu sugestões ao ministro para solucionar a crise.

Ontem mesmo a Receita soltou nota informando que pediu ‘abertura de inquérito policial para investigar se houve crime de violação de sigilo funcional (art. 325 do Código Penal)” e “o indiciamento dos agentes públicos ou privados envolvidos na divulgação de informações protegidas por sigilo”.

Segundo a nota, “especificamente em relação aos casos divulgados a imprensa, (…) foram objeto de análise técnica e impessoal e a conclusão dos auditores-fiscais é o de que os indícios originalmente apontados não se confirmaram, razão pela qual os procedimentos de fiscalização não foram instaurados”.

Pronto, o limão virou limonada. A relação do atual governo com os STF, especialmente com Toffoli e Gilmar, não era nada boa. Agora, a crise fez abrir um canal de boa vontade.

O mesmo espírito de ‘paz e amor’ está sendo empregado em relação ao Congresso. Bolsonaro decidiu revogar o texto do decreto presidencial de ampliação do sigilo de dados.

O presidente também anunciou a criação de um ‘banco de talentos’ que, na verdade, será uma lista de indicações feitas pelos parlamentares para cargos comissionados no governo.

Bolsonaro nomeou sete vice-líderes do governo na Câmara e uma líder no Congresso, Joice Hasselmann. Ouviu que dois pontos não são aceitos pelos potenciais aliados: o que trata do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o da aposentadoria rural. Sinalizou que está disposto a ceder nestes assuntos.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, está disposto a combinar com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, uma estratégia de recuos graduais, cedendo ao máximo pela aprovação daquilo que o mercado considerar fundamental para a retomada do crescimento econômico. Bolsonaro se espalha em dois ícones da esquerda. Em Che Guevara, mostrando-se duro ‘pero sin perder la ternura’, e no ‘Lulinha paz e amor’ das campanhas eleitorais em que o PT saiu vitorioso.