Reinaldo Azevedo: Barroso advogou para Battisti e agora age como defensor ‘pro bono’ de Dallagnol

Barroso veste capa e sai em defesa de menino prodígio

Por Reinaldo Azevedo, colunista do Uol e da BandFM

“É difícil entender a euforia que tomou muitos setores da sociedade diante dessa fofocada produzida por criminosos”.

De quais criminosos está a falar o doutor? Dos que fraudam a lei e vão para a cadeia ou do que fraudam a lei e mandam para a cadeia?

Se Barroso se referia aos hackers que estão presos, cumpre constatar: eles não fizeram fofoca nenhuma. Clima de fofoca, muitas vezes, aí sim, era a aquele que se percebia entre os criminosos da Lava Jato, em acerto ilegal com o juiz.

Estou enganado ou Sergio Moro chegou até mesmo a instruir Dallganol sobre a necessidade de tentar desmoralizar a peça da defesa de Lula?

Fofoca? Só se for aquela que se produz em coquetéis domésticos que não podem ser noticiados pela imprensa, não é mesmo?

Ademais, quem está eufórico?

Notem que este senhor se manifesta no dia seguinte à divulgação da informação de que dois ministros do Supremo foram investigados pela Lava Jato, quando essa competência, se a apuração de mostrasse necessária, era da Procuradoria Geral da República. Mais: ficou evidente que a Receita havia sido instrumentalizada para quebrar sigilos ao arrepio da Justiça.

Ora, ministro, rasgue a sua toga e vire advogado “pro bono” de “Delta para os íntimos”. Vossa Excelência já fez coisa pior: advogou de graça para um terrorista e assassino confesso. E surfou gostosamente na onda criada pela esquerda caolha, que lutou pela permanência no Brasil de Cesare Battisti. A sua dedicação à causa lhe rendeu a indicação ao Supremo, não foi?

Aliás, a ruindade nas escolhas de Dilma nesse assunto tem de ser matéria de curiosidade científica.

O “MAGISTER DIXIT” DA GLOBO
E, ora vejam, aquele que chegou ao tribunal nelas mãos assassinas de Cesare Battiisti agora se torna a consciência da nação nos noticiários da Globo. Nesta sexta, no “Jornal Nacional”, lá estava o mestre a tonitruar os feitos da Lava Jato, com as devidas pausas para os aplausos.

Afirmou:
“Nada encobre o fato de que a Petrobras foi devastada pela corrupção. Não importa o que tenha, não importa o que saia nas gravações (…). Nada encobre a corrupção sistêmica, estrutural e institucionalizada que houve no Brasil”.

Quem estava interessado em acobertar a biografia de um terrorista e assassino era Roberto Barroso. Reconhecer os crimes da Lava Jato implica, por acaso, negar as falcatruas cometidas na Petrobras? Só uma mente perturbada pode produzir tal juízo.

Ora, o que Barroso pretende com isso? Livrar a cara dos que agrediram a Constituição, o Código de Processo Penal, a Lei Orgânica da Magistratura e o Código de Ética da Magistratura com a conversa do combate à corrupção. Tudo é permitido em nome desse objetivo?

Temos um ministro no Supremo que está a dizer que, a depender de quais sejam os fins, todos os meios são válidos. É bom lembrar que Maquiavel nem escreveu nem defendeu essa divisa. Isso é conversa de bandidos de estado.

Segundo Barroso, “há mais fofocas do que fatos relevantes, apesar do esforço de se maximizarem esses fatos”.

E mesmo? Então vamos ver:
– ele considera fofoca que um juiz ofereça ao órgão acusador uma testemunha para prejudicar o réu;
– ele considera fofoca que juiz, procurador e Polícia Federal se reúnam para decidir etapas da operação;
– ele considera fofoca que o representante do órgão acusador diga ao juiz que vai usar um truque para tentar forçar a fala de uma testemunha contra o réu;
– ele considera fofoca que, às vésperas do segundo turno da eleição, um juiz decida liberar trechos de um depoimento que se sabe inconsistente apenas para criar uma fratura num dos partidos que o disputam;
– ele considera fofoca que o juiz passe instruções para quebrar sigilo de delação determinado pelo ministro-relator do caso no Supremo, a exemplo do que seu com o caso Odebrecht-Venezuela;
– ele considera fofoca o fato de que juiz e procuradores sabiam não existir as provas contra um réu e, por isso, dedicaram-se a ardis para mudar de foro um processo; objetivo: facilitar a incriminação;
– ele considera fofoca que procuradores de primeira instância investiguem ministros do Supremo;
– ele considera fofoca que o coordenador da Lava Jato conceda uma palestra clandestina a banqueiros nacionais e internacionais com o tema “Lava Jato e eleições”;
– ele considera fofoca que dois procuradores planejem criar uma empresa de palestras para “lucrar”, colocando a dita-cuja, claro!, em nome de suas respectivas mulheres;
– ele considera fofoca que Sérgio Moro tenha interferido até na formação do time da acusação, criticando o desempenho de uma procuradora — que deixou o caso Lula 48 horas depois; Moro a achava fraca;
– ele considera fofoca, enfim, o conjunto impressionante de evidências a demonstrar que o chefe da Lava Jato, desde sempre, era Moro. E que, pois, ele não podia julgar um processo instruído por ele mesmo.

Existe, sim, muita fofoca nessa coisa toda, mas esses são fatos.

Barroso tem o direito de cultivar suas afinidades eletivas com o “enfant terrible” de Curitiba, que, sendo também surfista, pegou onda como ninguém nesses cinco anos. Afeto e apreço são coisas pessoais. O devido processo legal e o respeito à Constituição são questões de interesse público. Fofoca é outra coisa.

(…)